O Seta

Aquela mancha vermelha

Existirei pensando em você, não me importa quem sejas a apreciarei integralmente.
Juro a ti que serei teu cúmplice mais sincero, que nenhuma pessoa neste orbe te dará como eu afeição. Que irá, ainda, chorar de alegria estando ao meu lado, e de felicidade sorrir, estando longe quando pensar em mim.
Serei o cristal de tua alma, a consumação de teus mais clandestinos devaneios, me ajustarei em teus planos de forma tal que não conceberá mais outra vida assim.
Serei o teu melhor amante, desvendando teus pontos, lhe declamando demências, penetrando tua alma numa maneira tão plena, que não se rememorará já ter sentido outrora prazer.
Velarei o teu sono, com cafuné e muito agrado para que durmas. E quando despertar estarei lá, prima visão de teus olhos, a te almejar com meus beijos conferindo juras de amor.
Viverá ao meu lado o teu maior e melhor sonho, e nunca se esquecerá de mim, pois tamanho será o nosso amor.
Mas um dia acordará como quem acorda de um sonho, e não mais me verá ao seu lado. Não te acoime nem arrazoe sobre que poderia ter sido, pois a charada permanece aqui, em quem não sabe existir em feliz, abandonando para trás exclusivamente alvitres e aquela mancha vermelha, enodoada de minhas lagrimas em seu lençol.
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°Thay

aquela mancha vermelha.

Falta-me o ar.
Observo os detalhes, enlaço, desgasto, susurro, entrego.
Desgraço-me com sua presença.
Sinto o pesar desejo vão.
A próxima palavra será a minha.
A última.
O seu rosto em meu peito.
Enlaça-me.
Não resisto.
Entrego minha frieza ao seu desejo.
O último.
Não busque-me.
Tentativa morta e sem luta.
Largo-te a solidão.
Sem vida.
Será essa a única solução.
Todo o seu corpo viril de prazeres tortuosos e fúnebres
derramado sob aquela mancha vermelha.
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João Sanches

Um dia em Caraquatatuba!

- Vem! Pode vir! Vamos nadar!Ela ! – Não! Ta cheio de germes e micróbios!- Vem! – continuava o moço! – o sol está quente e precisamos de um banho!

- Vai você – disse ela – vou me refrescar no chuveirinho!

- Pô! Vem minha linda, larga destas coisas! O mar está límpido!

Era a Praia do Capricórnio em Caraguatatuba! Andar nesta praia, nas areias, faz a sola do pé virar bumbum di nenê!

Não se conformava das neuras da namorada de achar que areia de praia tem germes que se leva pra casa! – Os cachorros cagam na praia, além que os peixes mortos poluem a areia, ta cheio de germes!

Bom! Já sabia destes descomandos da namorada, quando ela entrou no meu apartamento, eram panelas, no banheiro e cozinha! Viu e quase voltou pro País dela!

Limpou tudo! A geladeira então foi desinfetada com vinagre, acabou com dois litros no apto inteiro!

- Oi! Linda! – Voltando do banho de mar – Vamos comer aí em frente uns sanduíches! – em frente tinha um MacDonald`s!

- Vamus lá!

E entraram no MacDonald´s, pediu um Big e ela não quis nada, só se for um sorvete!

- Vou fazer churrasquinho pra você! Não entendo sua ojeriza, seus traumas por germes!

- Tudo tem germes! – ela falou – até nesta mostarda e ketchup – apontando os potinhos que peguei de cada um!

- Affe Marria – exclamei!- Ok! Tudo é contaminado, mas você beija e trepa! A boca tem milhões de germes e gosta! – respondi meio exaltado!

- Isso é outra coisa! – virando a cara!

Mas sempre entre namorados, se reconciliam! Só um motivo forte, para desfazer a magia!

- Então! Onde estávamos? – falou colocando o ketchup no hambúrguer, então e inadvertidamente, uma gota se desprendeu do lanche e caiu na mesa!

Fez uma mancha vermelha na toalha de papel, ele inconscientemente botou o dedo na mancha e levou aos lábios!

Na mesma hora a namorada se levantou e foi embora!

Nunca mais há viu!!!!!

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Roubet

Aquela mancha vermelhaOs convidados estavam chegando à mansão, eram recebidos no portal da ante-sala por uma espécie chefe de cerimonial, de boa estampa, educado e roupas refinadas que delineavam o bom gosto e o nível social do ambiente. O segundo portal dava acesso ao grande salão de estilo imperial mobília de fino gosto, ornamentação apurada sem exageros, pratarias cristais, onde desfilavam garçons e copeiras, elegantemente trajados, era um número de serviçais adequados a reunião entre amigos promovida pela anfitriã, jovem senhora da sociedade recém casada, de rara beleza, um corpo invejado por todas, amigas e inimigas, de semblante avassalador de olhar doce, firme e penetrante, possuidora de uma plástica dos deuses, chegava agora ao salão, acompanhada de seu filho um menino de seis anos, bonito como a mãe embora voluntarioso e independente e fosse uma criança do tipo questionadora, ela trajava um tailleur branco, incomum para o horário e a ocasião, mas dava a ela uma imponência diferente e arrasadora pela sua beleza.
Cumprimentava a todos um por um enquanto chamava seu filho para que a acompanhasse, mas ele não lhe dava atenção estava nas suas incursões pela mesa de guloseimas.
A recepção era um sucesso, escritores de coluna social, presentes, não se cansavam de elogiar, a anfitriã feliz e satisfeita seguia tranqüila dando atenção aos convidados quando aparece seu filho e a chama: mãe ô mãe! Ela olhou-o complacente e pediu para que esperasse um instante, mas o menino não se convenceu e chamou-a novamente: mãe ô mãe seu tom de voz já denotava impaciência e cutucou o braço da mãe que mais uma vez lhe pediu que esperasse o menino não cedeu e já quase aos berros no salão onde se conversava quase aos sussurros embalados por uma musica suave, disse: Mãe ô mãe poxa vida! A mãe aterrorizada por aquela persistente falta de educação, mas complacente e com um sorriso nos lábios, como se dissesse a todos que concentraram a atenção no menino, crianças… Perguntou ao filho em tom calmo já não tão baixo: O que é meu amor, fale. O menino olhou para mãe por um segundo desafiador e abrandando o semblante para um tom de curiosidade proferiu a pergunta levantando a parte de trás do casaco do tailleur: O que é essa mancha vermelha bem aqui atrás na sua calça?

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Renato

A mancha…O meu mundo era de um todo azulado.
Azuis profundos e plácidos,
De tons mil. Sutilmente misturados.
Após a larga temporada de neutralidade alva,
O azul tomou de assalto,
Meu coração, meus pensamentos e minha alma.
Por vezes me visitava o amarelo.
Com seus tons de amizade,
Mesclava-se ao meu azul e purificavam-se no verde mais singelo.
Por vezes o cinza tentava se achegar,
Como uma nuvem escura,
Mas o azul sempre voltava a triunfar.
E no arco-íris de minha vida,
Todas as cores de sensações,
Em uma ou outra visita, tinham guarida.
Nenhum sentimento ou mistura foi igual,
Ao dia em que de forma tal,
A mancha vermelha fez sua entrada triunfal.
Era o vermelho de um fogo,
Vermelho de uma paixão,
Arrasador, sedutor. Não se contentou com seu pedaço de chão.
No território dos meus amores azulados,
O vermelho penetrante,
Deixou todos os tons mais apaixonados.
Hoje tenho um azul mais resignado,
Ciente de seu destino,
Parte de um arco-íris da vida eternamente apaixonado.

Renato M. do Vale

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Evandro

Maldição em todos os sentidos! Não vi, juro por tudo, não percebi nada ou teria feito alguma coisa… Tudo aconteceu quando a encontrei passado tanto tempo e decidi tomar uma bebida com ela, que tão facilmente aceitou o convite. Que ilusão! Se eu adivinhasse… A miserável vingou-se daquele dia em que a deixei dormindo no motel e viajei para só retornar sem satisfação alguma e notícias quaisquer, sem saber dela mais, alguns anos depois! Paris estava tão linda; ela também naquela cama amarfanhada e banhada de sexo, sexo ao extremo, lancinante, nosso suor, energia derramada a escorrer pela forração. Pois bem, bebemos e perdemos a hora, a sobriedade e o resto que havia de vergonha na cara; da conversa à conversão de dois em um foi um estalo de beijo, a rolar nos movimentos fortes, ritmados, completamente enlouquecidos, penetrantes, transcendentes da razão, do biológico, do muscular… Estávamos endocrinológicos já!!! Peles descoladas, corações mais calmos, mucosas dela a arder em fogo, respiração menos ofegante, resolvemos rever conceitos e vidas (o que é difícil depois de uma trepada alucinante?). Ela foi tratar de ir prá casa e sua família, eu prá minha. Não voltaríamos mais a nos ver, nunca mais. Que horror! A vingança dela foi podridão pura, mas merecida por mim, cafajeste sem perdão e remédio, reconheço. Ao chegar ao lar, tirei o paletó, beijei a esposa amada e ao me virar, o grito medonho, a cabeça doída… Ao despertar no dia seguinte da pancada sem dó na fronte, li a carta de rompimento e o motivo. Nas costas, na camisa branca, aquela mancha vermelha denunciara tudo. Mas que mancha, como??? A camisa fora lavada. Nunca soube, nem saberei! Mancha amaldiçoada!!!