Antes que ele se vá, fica aqui registrado os textos do blog dessa incrível pessoa que nos deixou tão prematuramente
http://hiperbolizando.blogspot.com/
Estou tecendo um frágil caminho. As lâminas das folhas iluminadas de esmeralda talham minhas vontades. E os córregos tagarelas me lembram certos sonhos no qual virariam hoje pesadelos. O ar ressoa com as asas escondidas. A brisa é suave, e se eu me inclino, ela me acaricia a face deixando-me extasiada com a sensação de estar voando. São como ondulações de cristal, feixes de pura luz dourada refletindo as profundezas do querer que me enche os olhos. Estou tecendo um caminho onde flores caem. Percebo uma notável escuridão contra a cascata branca pura de pétalas caindo. Parece criar um tapete de seda para que eu possa caminhar. Caminhar sobre pétalas sensíveis. As árvores parecem murmurar, e os sinos de vento cantam suavemente canções de paciência. Encho minha alma da minha mente. Vejo a primeira estrela brilhando através da névoa da criação de uma terra encantada de sonhos entrelaçados em um círculo com flores e pirilampos. Reúnem-se para assistir os dois se tornando um. E a natureza cai em um silêncio adorador, como se ouve o canto de dois pássaros encontrando seus destinos, opostos.
Tic-tac
Escuto o relógio ensurdecedor. Vejo-o assinalando o seu tempo. Ouço as engrenagens, tic-tac, tic-tac. Mantenho meu olhar agudamente atento e os ouvidos em foco astutamente. Todo este assalto gira sem pausa. Recolhe-me esperando o próximo minuto na esperança do novo tempo, a cada segundo. Entre o relógio e eu, um vácuo. A vítima, cinegética fatalista. E os ponteiros estão em tanques de guerra. Eu sou como o relógio. Quando ele tic, eu tac. Queimamos o pavio na vela de cera, tanto frio como quente. Juntos, agora em forma de fundição. Salto de lado, mas logo pauso na tenda, apenas para solidificar o ativo naufrágio e para derreter novamente o bit que funciona em nós, em mim e no relógio. Tudo em um prazo de tempestade com o plano atemporal. Mas não quero esperar, não tenho tempo ilimitado.
Entranhas Costuradas
Deixei-o com os lábios na vodka, enquanto descia sangue de sua lingua pelo copo de plástico. Sobre o prepúcio do homem grego, o perfume do malboro que agora na sua boca, sua garganta, seu estômago. Faz-te lembrar ter engolido minha adolescência e todos aqueles erros fermentados. Mas só você soube saborear os muitos e variados sabores da minha existência e se me concentro, posso sentir minhas entranhas freneticamente costurando meus cortes da tua navalha. Cura em poucos segundos. Agora eu sou o seu feto, e tudo é quente.Postado por Ellen, sábado, 31 de outubro de 2009
Estão por toda parte. Dormem nos esgotos e comem na tua mesa quando tu descansa. Lava bem teus pés, pois cutículas mortas são suas sobremesas preferidas.
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Ratos. Pulgas. Ratos.
Esperam teu descuido e entram nos teus sapatos e depositam ali seu excremento fétido. Ridiculamente decapita seu couro cabeludo como um pedaço de carne inútil, podre.
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Ratos. Pulgas. Ratos.
Olha ao teu redor, se escondem em corpos de Twisters para corroer suas idéias, seus conceitos e seus valores. O esgoto está debaixo da tua cama.
E onde estão os coelhinhos da páscoa?
Sol Negro
Não há tempo para se preparar. Empurro-me em cima do precipício. Flutuo para baixo agora, suavemente. O sofrimento vem como ondas fortes que nunca parecem vazantes. Deixo que lave minha alma. De luto por todos os socos sem fôlego, não por uma luta justa. A dor desnuda um rosto corajoso que não quer usar qualquer máscara para o agora. Dobro o riso em dor, faço suflê e devoro-o. Alguém, invisível, se preocupa dando-me palmadinhas no ombro de longe, atitudes gentis. Outros colocam palavras na minha boca. No meio do circo dos horrores, tento seguir minha própria voz. Ando em campo de luto, com pétalas de rosa negra no chão, com uma chuva de cactos de vidros. É manhã, que trás consigo o sol, que me clareia tristeza.Postado por Ellen, terça-feira, 20 de outubro de 2009
Don’t Go
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Came in from the city
Walked into the door
I turned around when
I heard the sound
Of footsteps on the floor
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Love just like addiction
Now I’m hooked on you
I need some time to get it right
Your love gonna see me through
.
Can’t stop now don’t you know
I ain’t never gonna let you go
Don’t go, don’t go
.
Baby make your mind up
Give me what you got
Fix me with your lovin’
Shut the door and turn the lock
.
Hey go get the doctor
Doctor came to late
Another night I feel alright
My love for you can’t wait
.
Said he was a killer
Now I know it’s true
I’m dead when you walk out the door
Hey babe I’m hooked on you, oh yeah
.
Can’t stop now don’t you know
I ain’t never gonna let you go
Don’t go, don’t go.
Postado por Ellen, sábado, 17 de outubro de 2009
O Criador e a Criatura
Na ânsia de criação, criei-te em mim.
Dei-te meu ventre, nome, cor e cheiro.
Você, sorrateiro, quis mais.
Presenteei-te então com
Meu azul, meu vento, meu verso.
Meu azul, meu vento, meu verso.
Você faminto e sedento pedia: Mais!
No zelo de fazer-te saudável e completo,
O que era meu passou a ser também teu:
Meu Ar, meu Corpo e meu Coração!
Hoje, completo, te alimento com calor e amor.
E afirmo: A criatura não é do criador;
O Criador é da Criatura!
O Criador é da Criatura!
Postado por Ellen, quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Soneto Alado
Estamos no terreno pouco fértil com uma página virada brandida como uma bandeira ao vento. Aqui no ramo da terra, restos de suas folhas lançadas nas páginas que nas suas linhas absorvem a tinta do nosso destino. O livro que a partir da tinta verde da nossa face imprime a música inquietante da sua partida com as palavras que apreendem as mãos para serenata. E para afinar o bosque de ouro no peito quando estourou no seu amor, a vibração branca de nossos corações enxertia as asas de nossas pombas, famintas. A corrupção como o soneto a rosa vermelha de flores. Como o soneto de cores quando se entregam aos seus olhos, e a adoração de folhas no templo das hastes. Como o soneto na crista do sol sobre a isca artificial de nossas mãos, como o ninho de luzes nos ramos de nossa fé. Como o soneto de regiões sem fronteiras de terras remotas. O soneto de caminhos para renascer no ventre a passagem de raios lunares.Postado por Ellen, segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Verdade é Mudança
A verdade estava lá no começo do começo. Estava lá no início do começo do começo. E ela não persistiu através dos tempos. Vamos mudar o que quer que a verdade não possa sozinha, só assim ela permanecerá verdade. A alteração saltou na verdade trazendo a mudança e salvando sua prole pra que ela possa permanecer verdade. Ou talvez a mudança é a verdade e a verdade é que a mudança. E a mudança foi no início. A mudança foi no passado. A mudança é no agora, neste momento. A mudança será nos tempos vindouros. A mudança é a verdade e vice-versa. Congratulo-me com a verdade em cada respiração.Postado por Ellen, domingo, 11 de outubro de 2009
Procuro essa desconhecida chamada por todas de ‘identidade’. Então vejo a dinâmica eterna sendo chamada de ‘mim’. Procuro sempre os raios esquivos da esperança, ela vai firme na minha caminhada na corda bamba dessa viagem que se chama ‘vida’. Sigo procurando esse curso de brilho, isso me faria sobressair entre milhões como se fosse uma real necessidade. Procuro então esse tão necessário ‘senso comum’, isso supostamente me ajudaria a decifrar um total absurdo da nossa existência. Procuro aquela coisa escorregadia chamada ‘fama’, isso teria o poder de apagar todas as minhas lembranças vergonhosas do passado. Procuro essa qualidade chamada ‘tenacidade’; Deus, socorra-me dessa complexidade de tentar tê-la! Procuro essa utopia chamada de ‘uma vida despreocupada’, isso retirar-me-ia do alvo de facas afiadas. E sigo na busca por algo chamado de uma ‘identidade’, e só continuo nessa corrente desenfreada porque quero ser chamada de ‘eu’.
Postado por Ellen, sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Circo Surreal
Eu estou aprendendo tudo: Acrobacia, clownesca, cavalgando sem sela, trapézio, fogo de uma manga, malabares. Ao meu lado, minha mágica varinha de cinco pontas brilhante: Plin, plin! Estou tecendo a vida rodando a dança com elefantes, mulas sem cabeça e cachorrinhos. Pulverização aérea ao girar no trapézio, UhÚ! De costas pra multidão, gargalho, Rá! Leões não me amedrontam. Formigas colocam-me de pé! Sorriam amiguinhos, é o circo da vida cibernética!Postado por Ellen, quinta-feira, 8 de outubro de 2009
DespertaDOR
Sinto minha respiração vazia de oxigênio. No meu coração um rabisco sem ritmo. Eu não sei o que estou fazendo ou o que eu deveria ter feito. Procuro um banco de praça onde eu pudesse sentar e descansar, ou apenas uma árvore onde pudesse encontrar sombra. Enquanto a solidão se instala, quando a escuridão torna-se a minha zona de conforto, a alma cansada solta um grito alto e denso de socorro. Minhas paredes estão esmagando-me hoje à noite. Uma piscina rasa estagnada de sangue, carne e lágrimas onde ninguém quer ir é meu subterfúgio, onde posso nadar em todos os meus medos. Não queria estar sozinha. E o despertador toca. Agradeço.
Postado por Ellen, quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Sozinho
Ser sozinho não é uma simples palavra cuja apenas é o que maioria das vezes possa ser percebida. É uma elevação de solidão interior, isso faz com que as perspectivas de uma pessoa só, sejam quase nulas. Ser sozinho não é um ato de princípio. Ser sozinho é uma verdade factual, tem uma sensação intensa real, isso não pode ser ignorado, pois ser sozinho é um erro colossal, deveras. Ser sozinho não pode ser falsificado e transformar-se em um sentimento sem emoção. Porque o ser só, faz da pessoa existir expressivamente densa. Ser sozinho é viver em um único lado, solitário. Isso faz o solitário querer sempre estar secreto, escondido, protegido. Existe um passarinho sozinho num ninho dentro da caixa do arcondicionado, quase nunca voa, afinal ele é um ser sozinho, quem irá defendê-lo?
Postado por Ellen, terça-feira, 6 de outubro de 2009
As minhas palavras sussurradas saem como ecos vermelhos do coração. Pedras vermelhas no fluxo da corrente sanguínea. Corrente de fogo obstinado percorrendo veias e artérias. Brilhante é o vermelho desse obsessivo liquido, como aquela rosa vermelha do seu jardim, onde exala recursos do vermelho vinho tinto tomado horas antes. Vermelha é a paixão intensa quando se faz no céu à junção de tarde e noite no horizonte. Vermelha fica minha boca para o ajuste com meus olhos também vermelhos reluzentes da raiva que vomita o cheiro da ausência sentida, desenhada na geometria do orvalho regato que chora em vermelho quando separam as duas pétalas vermelhas atraídas pelo desejo e diariamente pisoteadas pela língua vermelha.
Melodia Ensurdecedora
Quando as minhas melodias se cruzam com o barulho ensurdecedor de palavras não ditas. Hei de contar os anos, meses, dias quando houver tempo. Grande é o espaço abaixo deste clima hostil, mas com apenas um tijolo de vontade eu alcanço liberdade que está ao meu alcance. Devo sacrificar meu pescoço? O clima de maravilhas, corrompendo nossas vidas com apenas uma listra preta e branca, longe e perto, paz e medo, e minha mente faz pontapé. Chuto pó e engulo vento.Não entendeu? Não precisava.
Postado por Ellen, domingo, 4 de outubro de 2009










1 comentário
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novembro 12, 2009 às 8:18 am
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