Capri! C´est fini! Je ne crois pas. Que je retournerai un jour.
..
…!!?
….???!!!
…..- ( …mas a Marcia vai escrever….calafrios!!!!)
……!!! – ( ..não! Ridículo!…)
……. …………………. ( …puf!…)
…….. – ( ….uma inspiração pelo menos!!!! Uminha só!!!!!!…)
………!!!! (…um esforço…..!!!!)
……….?????????
………..- (….aarrrgh!!!!!…)
…………- ( …tenho que limpar o teclado…)
………….???? – (…não é possível!!!!)
…………..!!!!!!!!!!!!!!!!!!!-(….DESISTO!!!!…TÔ SEM PALAVRAS KARÁIU
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Eu!
Acho que pisei no tomatal inteiro e enfiei a cabeça na jaca! De qualquer forma, semana passada não tive muito tempo para inspiração!
Sobre os Pombos
Para cumprir meu direito de andar na grama e pegar umas jabuticabas futuramente, não terei pejo de mandar estilingadas nesta espécie de vertebrados voadores!
Ô IBAMA acorde!!!
Tô cum mêdo!
Mêdo! Senhores afastai-vos de mim o mêdo! Sou muito Inflamativo! Meus puns dizem isso!!!!!!!!
Fruto de um grande amor!
Sr. ! Acorde! Já chegamos!
Meio tonto de sono acordei com alguém sacudindo meu ombro. Esfregava os olhos para focalizá-los e tentava me lembrar em que boteco havia capotado. Assim que os olhos se endireitaram, vi que não estava de ressaca e nem em um boteco, mas dentro de um ônibus na rodoviária da cidade de Rinópolis. Enquanto pegava minha bagagem, me lembrava de ter embarcado em um ônibus leito na Rodoviária de Barra Funda, para assistir à Missa de 7º dia do meu tio. Era um tio muito querido, desde que me lembro passava as férias escolares de verão com ele.
Já fora do ônibus me espreguicei, absorvendo os aromas que vinham com o vento. Recordava-me deste cheiro, das arvores, do orvalho da manhã e das plantações em volta da cidade. Andei um pouco e virando a esquina enxerguei a praça e a frente da Igreja Matriz, a casa de meus tios ficava ao lado da praça.
Escutei as badaladas do sino da Igreja, um, dois, três, quatro e cinco! Cinco horas da manhã, muito cedo! Não queria acordar ninguém. Fazia uns bons dez anos que não visitava meus tios, resolvi dar uma volta na praça que me enchia de recordações. Lá estava o laguinho com as tartarugas e filhotes de jacaré onde na manhã de uma quarta-feira de cinzas me pescaram desmaiado de tanta esbaldação. Os mesmos bancos, as mesmas flores e o mesmo jardim, nada mudou. Andando um pouco para trás da Igreja, vi a rua em que ficava a concentração do nosso bloco Unidos da Terrinha, campeão três anos seguidos antes da Sarga nos tirar o título, afinal eles aprenderam como usar o lança perfume escondido e tomar umas doses de conhaque.
Mas um banco de granilite debaixo de uma frondosa árvore me chamava à atenção. Não era possível, será que ainda estaria? Avancei para o banco com o coração descompassado e a adrenalina subindo, sentei e passei a mão no encosto, estava meio escuro. Sim estava lá incrustado J&W, aquele era o banquinho do casal 20. Continuei sentado e me perdi nas recordações.
Afinal começava a amanhecer e como tantas vezes antes, assistia os raios do sol tingindo as nuvens de vermelho e amarelo. Escutei as badaladas das seis da Igreja com um sentimento misto de saudades e prazer.
Entrei na casa, direto para os fundos e lá já estava a irmã da minha tia, colocando a massa de pão no forno a lenha, nos abraçamos e entre um causo e outro ajudei nos preparativos para o café da manhã. Logo a casa e a cidade começavam a acordar. Apareceu minha tia, os filhos do Lúcio, os inquilinos da pensão, (é uma casa enorme, se loca os quartos para os professores) nos cumprimentamos como se já nos tivéssemos falado na véspera, afinal estão sempre em São Paulo. Desceu então o meu primo e amigo Lúcio em sua cadeira de rodas e nos abraçamos longamente. Três anos atrás um aneurisma estourou e fez um estrago no seu cérebro. Agora consegue andar um pouco, recuperou os movimentos do braço esquerdo, toda a memória, mas não fala, não escreve e está reaprendendo a ler. Uma fonoaudióloga o está ajudando neste processo. Como a missa seria às 19:00 horas e a volta marcada para as 21:30 e era um sábado e tínhamos todo o dia pra colocar a conversa em dia. Empurrando a cadeira de rodas ele me indicava onde queria ir; Ficamos na praça “proseando” nós conseguíamos nos comunicar por gestos e logo começou a chegar gente! Oi fulano! Oi cicrano! Oi beltrano! É necessário dizer que lá todo mundo me conhecia por Júnior, apelido de família. E o mais engraçado destas conversas no interior é que o pessoal age como se nós tivéssemos proseado no dia anterior e não ha dez, vinte anos atrás, o Lúcio atualizava as minhas notícias. Sentia-me à vontade. No banco ao lado os taxistas sem nada para fazer tocavam moda viola.
E foi assim a durante a manhã, depois do almoço fui deitar no sofá para me recuperar da viagem e ler as notícias do dia. Dormitei e mais uma vez senti alguém balançando meu ombro. Era uma moça bonita, de olhos verdes, cabelo castanho claro de uns 27 anos e uns 1,70m de altura.
- Você é o primo do Lúcio? – disse ela sorrindo, com voz melodiosa – Ele está te chamando para participar da sessão de fonoaudiologia.
Fui então participar da sessão, ela me explicava ás peculiaridades do trabalho enquanto o primo estava escrevendo. Além de bonita é uma verdadeira simpatia, muito alegre e era familiar nos teus traços e jeitos, mas não me recordava de quem. No final, ela começou a guardar os quadros e os livros, quando o Lúcio começou a chamar a atenção da moça, apontando para mim. A gente não entendia e aí ele começou a apontar para ela e para mim. Ela entregou lápis e papel e pediu para ele escrever. Foi com dificuldade que ele fez um J e depois um U, aí entendi!
- Meu nome? Júnior? – disse eu e o Lúcio confirmou!
Aí a moça soltou uma exclamação e se sentou, olhando para o primo e para mim. O Lúcio confirmava apontando para mim e para algo por trás dela.
- Você é o Júnior primo do Lúcio?- perguntou. Afirmei que sim, meio embaraçado sentando também.
- Posso segurar sua mão? – disse estendendo as delas por cima da mesa. Ainda embaraçado estendi minha mão direita
- Eu sou Lígia, a filha da Walderes. – disse segurando minha mão – Vocês eram tão apaixonados. O casal 20 da cidade. – Falou assim com um olhar de ternura.
Foi uma surpresa! Neste momento todas as lembranças voltaram de roldão. Walderes!
Corria o inverno de 1.976, tinha 22 anos, fechei os exames do 4º ano da faculdade e me mandei pra Rinópolis. O Lúcio continuaria em São Paulo para os exames, enquanto isso eu sairia com os amigos da cidade, principalmente o Binho farrista que nem eu. Na tarde de domingo haveria um jogo de futebol entre veteranos do Corintians e a seleção da cidade, toda a cidade ia comparecer, fomos para o estádio e nos sentamos entre o pessoal conhecido. Nisso alguém falou:
- Aí vem as Viwalbi.
Olhei para baixo e vi três garotas bonitas, duas loiras e uma morena subindo os degraus, se acomodando junto com a patota do colegial. Interessei-me pela loirinha do meio, baixinha de 1,55 m, uns 16 anos, corpo bem feito e feições bem definidas. Perguntei ao Binho quem eram.
- Elas não são para comer não bicho. – Respondeu – Os pais delas são feras, é melhor ficar com nossa turma mesmo.
- Quem disse que quero comer? – respondi – Só quero conhecer a loirinha do meio, ela olhou para mim e não desviou os olhos.
- Pior ainda! – disse Binho – É a Walderes, o pai dela é o Contador dos fazendeiros, não vai ter chance nenhuma. Ele se deixá-la namorar, só aceita se for com filho de fazendeiro.
Mesmo com o aviso, resolvi arriscar depois de sentir que ela virava a cabeça para o meu lado como se procurando alguém. Aproveitei a deixa que a amiga saiu e sentei ao lado dela. Ficou nervosa e embaraçada, mas não me pediu para sair. Fui muito educado no conversar, ela respondia minhas perguntas e eu as dela. Nossos olhares não se desviavam um do outro, combinamos nos encontrar na quermesse à noite e voltei para o meu lugar antes que a amiga voltasse. À noite na quermesse, mandei um Correio Elegante (torpedo) para ela, me respondeu, mandei outro perguntando se sentiria constrangimento se eu fosse até lá para conversar. Ela recebeu o torpedo e deu risada, conversou com as outras amigas e para minha surpresa se virou e me chamou.
E ficamos juntos o resto das férias, bem como nos fins de semanas subseqüentes, até que ela dobrou o pai. Antes do fim de ano éramos oficialmente namorados. E aí foi, deixei de ser farrista comedor e me tornei um namorado responsável.
Pintava as férias me mandava, a cada quinzena na sexta pegava carona com o pessoal e me mandava. Formei-me e comecei a trabalhar em uma construtora, ficou um pouco mais difícil, pois só saia de Sampa após vistoriar as obras, geralmente ao meio dia estava na estrada e chegava no point por volta das 19:30, descia do carro e lá já estava ela abraçada ao meu pescoço.
Éramos muito apaixonados, sozinhos não conseguíamos manter uma conversa descontraída e animada, mas juntos elevávamos o astral de todos com nossas brincadeiras, por isso nos chamavam de casal 20. Ela tinha um irmão na faculdade que gostava de mim, mas ele também trazia um amigo que era fissurado pela Walderes, até me despertava ciúme, mas ela nada fez para motivar estes ciúmes, era totalmente apaixonada por mim.
Até que chegou o fatídico mês de agosto de 1.978, saí de São Paulo no meio do maior aguaceiro, quase não conseguindo pegar a estrada antes do alagamento da cidade. E acabei chegando no point, tirando meus aparelhos auditivos para enfrentar a chuva, vi uma figura baixinha correndo pra mim que me abraçou e colocando as pernas atrás de mim, aí o tempo parou! Como se combinássemos, entramos no carro, no maior protesto da galera do point e fomos para o nosso cantinho particular, lá no meio da estrada. Nós tiramos as roupas molhadas e nos juntamos nus no cobertor, que tinha no carro! Pela primeira vez fizemos planos para noivar e casar, ela queria ir pra Sampa, eu já tava ganhando a grana que possibilitava isso, e passamos o tempo em fazer os planos e olhar as estrelas que apareciam após a tempestade!
Na semana seguinte em São Paulo, o Lúcio me ligou, para convidar para um Sambão com a namorada dele a Nelby e com a prima dela, a Zéza. Eu sai fora na hora, além de estar comprometido, a Zeza (Maria José) era uma bolinha! Sabe do Bolinha das revistas? Isso ela era uma bolinha dos lados e frente e verso, um Bolinha de saias, além de mimada, gênio dominador e arrogante! O pai dela tinha o maior patrimônio de Rinópolis! Mas nem pensar. O Lúcio me solicitou o favor como amigo, e relutantemente aceitei!
Gente, nem dá pra comentar muito, ficamos tomando chopps, comendo pipoca e amendoins, eu pedia o chopps, e a Zeza o Steinheguer aí na deixa, o Lúcio e a Nelby sumiram, ficamos eu e a Bolinha lá no Sambão! Bem, sacudimos o esqueleto e no final pedi a conta já me sentindo muito embriagado com só uns cinco chopps! Veio a conta e perguntei!
- Que é isso, cinco Steinheguer? Quem pediu? – a Zeza se apressou – fui eu querido, eu tomei!
Bem aí paguei a conta e disse pra ir casa, afinal são três da manhã, e ela!
- Pra casa? A noite está linda! Vamos pro Papagaio´S ( Uma discoteca da época )
- Não dá, sua prima Lúcia quer te ver em casa antes do amanhecer, eu te levo que estou cansado! – disse para ela
E com a Bolinha meio emburrada, saímos do sambão e vi que estava muito inebriado para dirigir e só tinha tomado cinco chopps! Fiquei pensando se não misturaram alguma coisa! A Zeza pediu para dirigir e entreguei a chave do carro. Bom! Não me lembro o que aconteceu depois, só me dei conta de estar em frente da minha casa, o Lucio me entregar as chaves do carro e me ajudar a subir os degraus para chegar na minha cama.
- Acorda! – acordei com meu pai me balançando – temos visita para o almoço, já é meio dia!
Bem de ressaca tomei o banho, desci para a sala e vi meu primo, irmão do Lúcio e a Lúcia, esposa dele conversando animadamente com meus pais no sofá!
- OIIIIiiiiiiiiiiiiiii! Júnior me dá um abraço! A Zeza me contou! Pensou que ficaria brava com o namoro de vocês? Estou não! Aprovo o namoro de vocês, e concordo que você deva fazer um curso de agrônomo para cuidar das fazendas! – disse a Lúcia. E eu sem entender nada!
Meu primo entendeu minha confusão e disse!
- A Zeza levantou hoje feliz da vida com uma écharpe no pescoço, e disse que queria pegar a carona a Rinópolis, para falar com o pai sobre o namoro de vocês!
Merda, merda, merda! Liguei pro Lúcio e ele não estava, pra Nelby também a mesma coisa!
Pôrra pensava! Que qui houve? Mas não tinha jeito, ligava a semana inteira pro Lúcio, a Nelby e pra Walderes sempre a mesma coisa, ou não atende ou não quer falar! Mas logo chegou a sexta seguinte e não quis nem saber, fui pra estrada e chegando lá parei no point e nada de alguém pular no meu pescoço, entrei no point, e percebi todas as meninas virando a cara quando passava, os carinhas me cumprimentando respeitosamente, e nada da Walderes. Aí chegou o Binho e a namorada!
- Pôrra bicho tás em outra? Devia ter me avisado! Foi o maior auê aqui!
- Que auê? – disse eu!
- O teu namoro com a Zeza, malandrão, é bom se sentir um herdeiro de fazendas né mesmo? – disse ele.
- Como assim? Não tenho namoro com a Zeza não!
- Então explique pra nós a bandeira que você colocou no pescoço dela? Ela bandeirou para todo mundo aqui a semana inteira – disse a namorada do Binho!
- Sei lá, foi coisa do momento! Mas como bandeirou?
- Bem, não foi um chupão…mas também não foi um chupadinha, foi isso é uma bela duma chupada! – disse a namorada do amigo!
- Putz! – disse eu – mas não tem nada a haver, só a acompanhei junto com o Lúcio e a Nelby, não houve nada não!
- Vai, vai, vai querer nos enganar! – disse o Binho – e sua cueca?
Naquele tempo, os namorados trocavam roupas íntimas, com o nome do parceiro bordado!
- Qui que tem minha cueca? – perguntei.
- Pois que ela apresentou a prova do crime. – disse o Binho rindo – sua cueca, toda esporrada, com o nome da Wal!
Putz! Entendi tudo! Caí numa esparrela!
Mas não houve jeito, nem meus tios conseguiram que a Wal falasse comigo! Estava novamente rotulado como farrista comedor ou pior! Um caçador de herança!
Fiquei muito mal no dia seguinte, não sentia vontade de sair da cama e enfrentar a cara do pessoal, praticamente tudo que havia construído na cidade e feito de bom em três anos, tinha ido para o ralo. Sentia uma coisa esquisita no peito, uma coisa ruim como um vácuo ou uma bola negra e malíflua bem no meio do peito e acima da barriga. O Lúcio e a Nelby disseram que iriam ajeitar tudo com a Wal, assim que se encontrassem.
Do jeito que me sentia fui ao point à noite, nem liguei para quem estava, fui direto à mesa nos fundos onde estavam os amigos Binho, Alberto e suas namoradas. Eles me consolavam, dizendo que eu não seria o último a dar uma mancada daquelas e que tudo ia se resolver de uma forma ou de outra.
Eis que chega o Lúcio, a Nelby e a Zeza que se sentam na primeira mesa e o bar foi enchendo, quase todos da cidade estavam lá, dentro ou na calçada. Entra então o trio de garotas já conhecido com o amigo do irmão da Wal, eles conseguem uma mesa também na frente, com o carinha sentando e colocando os braços no ombro da Wal! Foi demais para mim.
A namorada do Binho me olhou, sentindo pena da minha cara pediu um whisk duplo que tomei num gole só e colocou suas mãos no meu braço para me consolar. Agradeci e fiquei quieto, mas não é que vejo a Nelby vindo saltitante na minha direção:
- Júnior, nós vamos para Tupã! Tem um baile legal lá, vamos brincar, vem com a gente!
Não agüentei! Respondi de forma calma sem falar muito alto.
- Ir para acobertar vocês de novo? Procurem outro louco. Na semana passada para ajudar vocês, acabei embriagado e estuprado!
Silêncio imediato no bar, o Binho e o Alberto se esforçando para não rir, as namoradas deles abrindo a boca de espanto e a Nelby percebendo a cutucada que deu na onça se virou para voltar à sua mesa. Não resisti e a chamei:
- Nelby…. oi Nelby!…. – ela parou, se virando para mim perto da mesa da Wal, e continuei…
- ….diga para esse TRIBUFÚ, que pode ficar com a minha cueca, foi só um presente de uma pessoa que ÉRA muito querida.
Novamente silencio geral no bar, enquanto a Nelby e a Zeza iam recolhendo as bolsas pra sair! O Lúcio olhou para mim, levantando os ombros como se dizendo, o que poderia fazer?
Não deu cinco segundos, o Binho e o Alberto agora às gargalhadas apoplécticas junto com as namoradas, ficavam perguntando, entre as batidas de mão na mesa:
- Júnior?………. Você? ………….Foi embriagado?………estuprado?………tribufú?
Não paravam de rir, logo todos do bar estavam gargalhando. E eu no centro da cena com as feições de um Vingador! Vingança tarda, mas não falha!
Então vi a Walderes tirar o braço do carinha dos ombros, se levantar, sendo seguida pelas amigas, antes de sair pela calçada virou a cabeça para me olhar demoradamente e foi embora. Nunca mais a vi. No dia seguinte às sete da manhã voltava para São Paulo, sentindo aquele vácuo no peito. Durante os próximos três meses não atendia telefonema de ninguém, fiquei sabendo muito depois, que dois meses depois deste fato ela se casou com o carinha.
- Júnior? – era a Lígia ainda me segurando as mãos, me fazendo voltar para o presente do mês de novembro de 2.006. – Júnior, eu gostaria que fosse comigo ver a mamãe, ela vai gostar de te ver. São só cinco horas, dá tempo de se conversarem.
Tentei evitar a todo custo, mas de tanto insistir acabei cedendo. 24/10/08 João Sanches
No breve trajeto de carro, ela foi contando que havia se casado faz seis meses, que o pai faleceu fazia dois anos e a mãe se mudou de Rio Preto para Rinópolis, onde estava a família. E contou que a mãe e as amigas sempre falavam de mim e daqueles anos em que namorávamos e adorava cada história. Parou o carro diante da casa e me olhando nos olhos disse:
- Sabe, nasci sete meses depois do casamento dos meus pais, minha irmã e meu irmão são louros, sou morena e mais alta de todos.
Percebi o que ela estava pensando, mas não era possível pensei! A Wal teria me contado.
Entramos na casa e ela chamou a mãe! Ela estava no quintal cuidando do pomarzinho. Estava do mesmo jeitinho que me lembrava, o tempo não fez muito estrago com ela, depois de um abraço na filha ela se virou para mim e sorriu, aconteceu novamente aqueles olhares que não se descruzavam. Senti voltar ao tempo!
- Oi Jú! Está com cabelos brancos meu! E essa barriguinha!
- O tempo faz isso Wal – disse eu – Mas você está muito bem!
Seguimos de volta para a casa. A Lígia com a desculpa de fazer café e chá foi para a cozinha, nos deixando a sós na sala. Começamos a conversar, lembrando os nossos tempos juntos, até que percebemos que eram seis horas, e nada da Lígia trazer o café.
- Ela deve estar escutando a conversa – disse – tínhamos muita coisa para conversar. E saiba que entendi aquela sua história com a Zeza, seu primo me contou depois. Mas na época era uma pessoa fraca e fui muito pressionada pelos meus pais para me casar com meu marido, eles se aproveitaram do teu caso. E mesmo estando apaixonados, nosso amor não resistiu à primeira intriga, acho que não era para ser!
Observando a Lígia saindo para o quintal, lhe perguntei:
- Porque não me contou sobre a Lígia? Ela acha que sou o …
Neste momento a Wal colocou a mão na minha boca e me disse que a filha só suspeitava, mas seria sempre a filha dela e do marido. Tentou falar comigo na época, mas não conseguiu, aceitou o casamento de conveniência para dar nome e bem estar para a filha, só depois do nascimento da menina que começou a gostar do marido, pela paciência e bondade dele, aí deu mais dois filhos para ele.
A Lígia veio com o café, percebeu que estávamos meio perturbados, mas satisfeitos com a conversa. E o tempo acabou, precisava ir para a missa e voltar a São Paulo. Damos um beijo no rosto de cada um e nos despedimos, a Lígia me levaria para casa dos meus tios.
Estava entrando no carro quando a Wal pediu para esperarmos, entrou na casa e logo voltou com um embrulho, me chamando ao portão:
- Fui na Zeza e pedi para me devolver. Queria que aceitasse este presente de volta não quero sentir de você que eu ERA uma pessoa querida!
Sem falar nada, já muito emocionado peguei o embrulho e o coloquei no peito. Ela também emocionada, novamente me deu um beijo no rosto e disse:
- Te cuida benhê!
Entrei no carro muito emocionado. A Lígia percebeu e disse que não queria que eu ficasse triste, mas que adorou nosso encontro para deixar as coisas mais claras.
Ela entrou na Igreja comigo e ficamos no banco de trás junto com o Lúcio, sempre segurando minha mão. O pessoal conhecido ia se juntando a nós, sem estranhar a presença da Lígia. Enfim terminou a missa e fomos jantar, recolhi minha bagagem despedi de todos e fui para a rodoviária. A Lígia sempre me acompanhando.
Já na rodoviária, nos sentamos enquanto esperava o ônibus, ela me perguntou se eu tinha fotos de minhas filhas. Tinha, mostrei as fotos e em uma particularmente da mais nova fazendo o sinal de positivo com o polegar, ela se emocionou. Perguntei o que era, não as achava muito parecidas:
-Não é isso, é o jeito do polegar, você também tem o polegar que dobra em ângulo. 24/10/08 João Sanches
Espantado e inadvertidamente, falei que sim, da minha família só eu, minha avó e as filhas tínhamos aquele jeitinho do polegar.
- Como os meus disse ela! – mostrando os polegares – Eu já sabia desde que peguei suas mãos lá no Lúcio.
Levantei os olhos e vi seus olhos se lagrimejarem, colocando as mãos no rosto, encostou a cabeça no meu peito soluçando. Nem sabia o que fazer, a emoção era a mesma, a abracei e a deixei desabafar. Passou um bom tempo assim!
- Era você que deveria ter-me conduzido ao altar e não meu tio. – disse ela.
Ainda emocionados trocamos telefone endereços e email, para manter contato.
Mas não tinha mais tempo o ônibus já estava de saída. Entrei para achar meu assento e abrir a janela. Enquanto o ônibus manobrava, eu a via acenando do jeitinho que a mãe fazia quando éramos namorados, o ônibus virou a esquina e ela continuava acenando com a silhueta banhada pela luz do luar.
O fruto de um grande amor!
Sonho sobre sonho
Acordaaa!
Fernando, assim meio estuporado, acordou com seus dois braços se esticando em alerta, daquele jeito de afastar um fantasma ou um importuno que lhe tira de um sono!
Verificou piscando os olhos e com o pensamento em rebolinho, procurou se atinar quem o estava acordando da cama! É ladrão pensou!
Mas nada, teve noção que estava num ônibus! O depauperado cobrador do ônibus que o acordou, disse que estava no Terminal de ônibus do Parque São Pedro, onde faria troca de ônibus para o Terminal Santo Amaro! Assim meio sonolento e meio agitado, começando a se mexer para sair do ônibus, viu no relógio que eram 6 e quinze da manhã, ainda teria um tempo para passar na padaria do lado e levar seu lanche para o serviço!
Fernando desligou o aparelho Ipod MP4 que tocava o forró à toda! Lastimou que o ônibus chegou mais cedo e não teve tempo de terminar o sonho que teve com a mulher, lá no Festival Mundial, dançando os dois como os reis do forró! Ele adorava dançar!
Fernando é o responsável pelas contas a pagar de sua empresa e lá ia ele pensando no famigerado encontro com o dono da empresa.
- “Ele vai mandar prorrogar todos os títulos em vencimento esta semana, e tou com salário atrasado mês e meio” – pensou ele, já pensando nas dificuldades no trabalho desta segunda feira!
- “Merda de Segunda Feira” – pensou ele.
Enquanto pagava o pão, bolachas de sal e água, mais o requeijão, ia pensando e lembrando da cronologia dos pagamento que teria que realizar no dia!
- “To ferrado” – pensou – “Se for pra pagar tudo são pelo menos três bancos que terei que ir! O coisa ruim do Zé Carlos dispensou o boy”.
Deu uma pausa nos pensamento da empresa e se lembrou da filha! Ela estava com a mulher na cidade Cacilda dos Ventos lá da Bahia, também, quem mandou azucrinar a vida da mulher! Aí se lembrou da Mãe, que de idade, aposentada com pensão do falecido marido, resolveu sumir lá de sua casa em Barra Bonita, para fazer uma viagem turística para onde ninguém sabe! 22/09/08 João Sanches
- “Tudo culpa do Zé Carlos” – Pensou Fernando – “ Tô com três férias vencidas, quero ver minha filha, descobrir onde minha mãe se meteu e o coisa ruim nem me dá dois dias para resolver”
Pegou a fila do ônibus e lá se foi, colocando os fones no ouvido e na terceira fila pra pegar o ônibus!
Apresentou as contas da empresa ao Zé Carlos, que chegou em um carro novo e blindado após despachar o procedimento necessário, expôs ao chefe que precisa de férias para resolver seus problemas!
- “Pague estas contas (retirou de um follow ap suas contas particulares), esta tem que ser paga no Banco do Brasil, ainda hoje!” – disse Zé Carlos, praticamente ser escutar o que o Fernando esta falando!
- “ Bem! Dou um jeito mas minhas férias…….” – disse.
- “Que férias? Estamos trabalhando enxuto, quer vagabundar agora? Não às minhas custas, trabalho pra dar emprego a você!” – disse Zé Carlos!
-“Tenho férias vencidas, não vagabundar, três férias aliás e vai vencer quarta mês que vem e ainda não me pagou o salário do mês passado, estamos dia 20, ainda me deve metade do mês de fevereiro. quando vai me pagar?”
- “Quando achar necessário, você está muito exaltado, vou pensar se posso te pagar este mês ou no que vem e aind……..”
Coitado do Zé Carlos, quando percebeu, viu uma mão e uma faca de cozinha bem em seu peito. Fernando, coitado agiu assim sem mais nem menos, ligou pra polícia e disse que matou o chefe…………
Zé Carlos acordou, como sempre por volta das cinco da manhã! Meio zonzo pelo sonho que teve. Ligou a TV, para ver as reportagens da TV a cabo. Mas não conseguia se concentrar nas notícias, ou mesmo na viagem à Europa por 50 dias, com a família e familiares, por conta do que tomou da empresa.
- “ Meu sócio é frouxo, tão fácil de enganar, mas este Fernando de contas é um pé no saco, verifica tudo”. Pensava Zé Carlos. Ligou para o contador!
-“Alô” – após três chamadas
- “Bruno” – disse Zé Carlos – “ O Fernando tem três férias vencidas?”.
- “ Zé! São quase seis horas da manhã! 22/09/08 João Sanches
- “ Zé! São quase seis horas da manhã! Como vou saber se tem funcionário seu com férias vencidas?”
- “ Preciso saber” – disse Zé Carlos!”
-“ Zé” – Bruno disse já enfezado – “ Você está me devendo três meses de contabilidade, não sei se você tem funcionários em atraso, mas com certeza deve ter! quando vai me pagar…………”
Bastou falar! Zé tomou uma resolução! Ligou para agência de viagens lá na Itália e resolveram que viajariam este dia, ele e famiglia tutto!
Mas por via das dúvidas, ligou ao sócio por volta das dez horas que estava depositando as férias do Fernando e seu salário!
Sonhos são sonhos, se puder evitar os ruins, os bons sempre serão bons!.
O Tempo
O tempo não é bobo, cada um faz seu tempo! E o tempo é foda, vai que alguem desc ubra a ficar jovem….viagem à velocidade da luz!
- Mas o tempo estava uma merda no sul, lá em Porto Alegre!
Me disse o companheiro de subir no elevador!
-Ok! – disse – e seu tempo como está?
-Pior, o jefe disse, que quando der tempo vou te pagar!
Este é inócuo! só palvras!
Karáios!
O que é o Tempo? Coisas do tempo que nos vai ver chuva? Talvez sol? Talvez ….. êsse, seria o tempo! Sim, este que a gente fala no elevador quando vai pra casa!!
Mas tem outro lado! Tem o Tempo de se achar como pessoa!
Tempo de dizer que eu fiz o que fiz!
Tempo de administrar meu tempo!
Uns administram seu tempo pelos que lhe falam, por faltam de Tempo. Para estes, não tenho tempo!
Afinal não tenho Tempo! Vai entender! Meu Tempo eu mato como entender, meu tempo carece sem sentido até aqui!
Mas tentando!
Deveria falar como o Charles Darwin.
” O homem que tem coragem de desperdiçar uma hora do seu tempo, não descobriu o valor da vida!”
Meio com mêdo!
Sabem, aquelas sacadas que a gente dá? sabem aquêles porres de noite, e depois que tem que defecar logo de manhã?? Sabem, isso foi um dos piores mêdos que tive de madrugada.
Acordar, com dor de barriga após churrasco, cinco da manhã, acordando numa rêde de nem me lembrava de onde, sabem aquela coisa que dá na barriga e quer expelir, pois é, acordei naquela cama no chão de nem sei como caí, e me mandei à latrina, sabe aquelas da parte de fora da casa, reformada e com válvula hidráulica,…….e sai aquêle tres quilos de merda!! Já estava num bom astral, após ter digamos….pelos bons costumes, assim……eliminado os ………digamos…….( gente ajuda aí!) dejetos!
Afff! Mó glória! 5 kilos depositados! Aperto a descarga!….que lindo vai e volta, e vai subindo …subindo….subindo……..ÁHÁHÁHÁHÁHÁHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Sabem, nos meu tempos de faculdade, algumas vêzes me mandava para a Rua Aurora, sim aquela mesma que tinha um cine que passava, quatro filmes por sessão e no meio de dois, um strip!!!!!! Faltava a aula para assistir! não pelo strip, claro, mas pelos filmes!!!!
Nunca tive mêdo maior! Depois de uma sessão de strip, o cine se esvaziou e lá fiquei sòzinho na platéia, começando a passar um filme de terror, eu lá numa boa, comendo minha pipoca baratinha, com direito a queijo ralado, que filei na entrada!
E lá sózinho no cinema, os lanterninhas ( Na época existiam!!!), sumiram! eu sózinho e lá vem uma figura, devagar, figura assim meio sinistra, eu sòzinho e a figura aparecendo.
Lá se vai ela nas poltronas abaixo, e pára! Percebo que está com um bengala, pensei que ia se sentar, mas não! Não! Não! Começou a fazer aquêle ruido, Chuif -Ploc, Chuif -Ploc, Chuif -Ploc, Chuif -Ploc, e veio subindo………subindo as fileiras de poltronas!……subindo….entrou na minha fileira de poltronas com aquel ruído…Chuif -Ploc, Chuif -Ploc, e se sentou ao meu
07/10/08 João Sanches
……!!!!Sim !!!!!! Ao Meu lado!!! ÁHÁHÁ!ÁH!
Nunca mais voltei a um cinema sòzinho!
Um Homem no Apartamento
Um homem no apartamento! Vendo carta em cima da mesa! procurou em seu cérebro! foi difícil, nada encontrou! E a carta alí! É uma carta com os símbolos da administração do período! o verde e amarelo!
Isso que dava ao homem no apartamento, mó mêdo de abrir a carta!
Mas um Homem tem que combater o medo! Deixa eu ver a carta! Pegou a 9mm e deu cabo nela!
Ok! ” O Fim ” !!!
Um Domingo Inesquecível
Droga! – pensei! Já deveria saber que em cidade pequena, as notícias voam! Minha fama na cidade, não era bem assim das melhores, no aspecto de assumir um compromisso sério em coisas de namoro. Aí que me toquei, ou melhor, senti que as pessoas em volta estavam com um olho no jogo e outro em nós! Senti-me intimidado, arrependido do impulso de iniciar uma abordagem bem no meio de um estádio de futebol lotado. E a mocinha me encarando impávida, olhando dentro dos meus olhos. Tinha um Quê de ironia e troça ao mesmo tempo! Senti alguma coisa crescendo no peito, algo novo que nunca havia sentido antes! Que lindos olhos! Azul da cor do céu. Enchi de coragem, a coisa já estava feita!
- Sim sou o Júnior – respondi – Desculpe-me novamente por ter sentado aqui sem mais nem menos! Nunca te vi antes e quando você estava subindo a escada sustentou o meu olhar, por isso que queria te conhecer. Podemos conversar uma outra hora?
- Mocinho! – disse em tom sério! – Claro que nunca me viu antes, você só vem para cá nas férias. Olhei-te por curiosidade! Não foi você que pescaram lá no laguinho da igreja, na manhã da quarta feira de cinzas? – agora abrindo um largo sorriso! Quase me perco naquele lindo sorriso, ressaltando a covinha do queixo!
- Tendi! – me lembrando da lambança que fiz no carnaval passado. Tô fudido! – Olha, não sou bem assim como o pessoal deve estar comentando! Só quis curtir o carnaval, a turma vivia enchendo o meu copo de conhaque. Agora não posso nem sentir o cheiro!
A Wal deu risada e disse – É! Acho que não! – em tom de descrença.
- Posso conversar com você mais tarde? – disse.
Ela rindo! – Não sei, acho que não, mas estarei por aí!
-Tá bom. – Disse.
Senti que ela havia terminado a conversa e fiz menção de levantar, mas aí continuou a falar.
-Tem quermesse na praça matriz hoje!
- Sim sei! Você vai?
-Quem sabe? – Fazendo aquela cara de incerteza! 24/10/08 João Sanches
-“GOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL!!!!!!!!”
E o pessoal comemorava o gol que o time da cidade fez, mas os nossos olhares não se desviavam um do outro. Aquela sensação boa continuando a crescer no peito. Dei um até logo e voltei para o meu lugar antes que a amiga voltasse. Binho foi logo cochichando no meu ouvido!
- Tu és louco bicho!
- Acho que sim. – disse! – É hooooje, bicho, é hooooje!!!!
Estava amando e nem sabia, a sensação era muito boa e difícil de descrever.
À noite na quermesse, despachei um Correio Elegante (torpedo), ao que ela me respondeu, mandei outro perguntando se sentiria constrangimento se eu fosse até lá para conversar. Ela recebeu o torpedo e deu risada, conversou com as outras amigas e para minha surpresa se virou e me chamou.
E ficamos juntos o resto das férias, bem como nos fins de semanas subseqüentes, até que ela dobrou o pai. Antes do fim de ano seguinte, éramos oficialmente namorados. Foi aí que deixei de ser farrista irresponsável e me tornei um namorado responsável. O namoro durou três anos e meio, mas isso é uma outra história! Nunca esqueço aquele dia de domingo!
Noite De Chuva
Noite de chuva, luz do poste refletida na janela, uma porta, e um barulho que não se sabe indentificar…
Seria uma cena de horror? Algo assim como:
….e caminhava pelo Beco do Tranco, era uma noite de chuva, virando a esquina, chegou à casa do amigo, viu luz do poste refletida na janela, encontrou uma porta aberta e um barulho que não se sabe indentificar veio de um canto da sala, aproximando a luz viu uma cara branca com os olhos de serpente!
- Voldimorde!!!!!!!! – gritou!
- Chegou sua hora Fotter. AVADA KADAVA!
- PUF!
O peixe? Ora o peixe…
Era um barco, que em noite de lua, vai retornando do mar azul.
O chefe do barco pesqueiro tornou a voltar o timão, com dificuldades para ancorar de lado no cais, o mar já estava começando a ficar revolto! Voltou mais cedo, sabia que da bonança viria a tempestade. Pediu aos ajudantes que recolhessem rápido os pescados! Ele sabia que o tempo era escasso para arrumar o trabalho da madrugada!
As nuvens começavam a se acumular encobrindo a lua, era a tempestade se avizinhando, prevista no boletim do tempo! Escutavam-se trovões ao longe! E com sua capa de chuva, ajudou o pessoal que recolhia a rede para deixá-la limpa e posicionada para o dia seguinte! Direcionou os trabalhos do desembarque dos pescados, já cortados nas entranhas e acondicionados em caixotes com gelo, muito gelo! Como é difícil a vida de pescador! Dia após dia, pior mesmo só com temporal agora começando a cair os primeiros pingos! Ele sabia, tinha 30 anos nas costas de pesca no alto mar!
- É muito tempo. – pensou! Gostaria que seu filho querido Melaquias o estivesse ajudando neste trabalho mas, ele resolveu ir à cidade grande fazia uns 8 anos atrás e estudar! Foi uma briga! O filho simplesmente desertou de casa e se mandou.
- Coisas da mãe deli – pensando – comu um caiçara forte e isperto qui nem eli si arresolve a debruçar im livro qui num dá im nada prá sustento de família? – Tinha pouco contato com o filho, só sabia de suas notícias pela esposa! – Eli si formô – disse ela uma vez!
Saiu a pé! Afinal sua casa era perto do cais, sonhava com a sopa quente que a esposa fazia, sempre o esperava! Luciene! Não sabia o que havia feito para merecer uma mulher como ela! Sentiu saudades do lar, da esposa e por causa da noite de chuva, resolveu ir direto pra casa ao invés de passar no bar do Belafonte como de costume. – Tô ficandu véio! – pensou. 30/10/08 João Sanches
Seguia pelo caminho, saltando algumas poças de água no pavimento de paralelepípedos. Sumiu o luar, estava ficando mais escuro e com a chuva apertando, virando uma esquina entrou na rua da sua casa! É logo ali, viu vagamente a luz do poste refletida na janela da sua casa, estranhou em ver um carro Vectra parado em frente de sua casa!
- Devi ser coisa du vizinhu – pensou! Viu então uma porta aberta, na frente da casa do vizinho começando se mexer de lá pra cá com a ventania! – Êssi Roberval. Sempri si isqueci di fechar a porta, também com o qui bebe lá nu bar do Belafonte juntu cum a Jusileide! – Resolveu entrar no terreno vizinho e fechar a porta, logo mais à tarde seguinte, quando acordar, o admoestaria!
Seguiu para sua casa ao lado. Observando a casa percebeu que a luz da sala não estava acesa! A esposa sempre a deixava acesa! Viu então que todas as luzes da casa estavam apagadas! Sentiu-se aflito! Nunca encontrou a casa com as luzes apagadas estes anos todos!
- Ladrão – pensou! – Luciene!
Pensou em ligar à polícia, mas descartou! Até que os policiais Zeferindo e Josenildo, que sabia estarem de plantão começarem a se mexer poderia ser tarde demais!
Resolveu entrar pelos fundos, pela porta da cozinha, bastava pular o pequeno muro de alvenaria que já rogava por uma pintura nova, o portão da frente estava enferrujado pela maresia e poderia alertar o suposto ladrão! Passou um pensamento! Luciene? Com um amante? Afinal chegou cedo! – Cruzimcredo! – fazendo o sinal da cruz – Vô pegá o disgraçadu!
Coloca a chave e escuta o click! Lembra-se do facão ao lado da porta! O pegou e foi andando! Na cozinha nada, só os pingos da torneira que precisava ser consertada! E foi pela ampla sala escura e ninguém! Entrou pelo corredor, para os quartos, entrou em cada um e só enxergava as sombras formadas pelos relâmpagos que caiam, foi até seu quarto e ninguém! A casa estava deserta.
Um barulho que não se sabe identificar vinha lá da frente, da sala, a porta principal estava sendo aberta, levantou o facão pra pegar o energúmeno! Parou quando viu a sua Luciene entrar e acender a luz abraçada com um homem! O sangue subiu, lá vai peixada! O homem viu e gritou!
- Pai!
Ao ouvir a voz, se quedou estático, com o facão no ar! Como? Reconheceu a voz e as feições do seu filho querido, agora adulto e com bigode! Ainda estático ficou quando o homem o abraçou chorando!
- Melaquias? – falou! – Meu fio?
Ô homi! – disse Luciene – é u nosso fio, istávamos todos ti isperando nu seu Belafonte pra fazer a festa! É seu aniversáriu vivente! Comu num se apresentava, pensamus que veio a casa, tão todus aqui!
Aí viu o pessoal entrando molhado pela porta, guardando suas capas e guarda chuvas. Roberval, Jusileide, Belafonte, Zeferindo, Josenildo, seus ajudantes do barco e mais gente carregando embrulhos e cestas de comida e bebidas.
Ainda estático com o facão no ar, ouviu seu filho falando.
- Pai, sou advogado, estou trabalhando no Distrito Federal na assessoria do Presidente e estou muito bem!
Vixe! Agora tenhu um fio cumunista – pensou, abaixando o facão – i ainda pur cima advogadu!
- Melaquias, dipois genti si cunversa, agora vâmu dá de cumida a estes viventes.
E com todos se sentando na larga mesa da sala, começaram a se servir.
Viu sua Luciene colocar na sua frente um prato com vegetais e postas caprichadas de peixe de cor vermelha.
- Qui peixi éieste?
É salmão pai. – disse o filho – trouxe lá da capital.
- Mêdeducéu, o mundu tá perdidu – pensou – té peixi tá virandu cumunista! 30/10/08 João Sanches
Experimentou a comida saboreando-a por uns momentos.
- Mesmu sendu cumunista, esti peixi tá danádibom!
E continuou comendo. Sentindo-se feliz, pelo filho e pelo peixe.
Um Dia Em Caraquatatuba!
Vem! Pode vir! Vamos nadar!
Ela ! – Não! Ta cheio de germes e micróbios!
- Vem! – continuava o moço! – o sol está quente e precisamos de um banho!
- Vai você – disse ela – vou me refrescar no chuveirinho!
- Pô! Vem minha linda, larga destas coisas! O mar está límpido!
Era a Praia do Capricórnio em Caraguatatuba! Andar nesta praia, nas areias, faz a sola do pé virar bumbum di nenê!
Não se conformava das neuras da namorada de achar que areia de praia tem germes que se leva pra casa! – Os cachorros cagam na praia, além que os peixes mortos poluem a areia, ta cheio de germes!
Bom! Já sabia destes descomandos da namorada, quando ela entrou no meu apartamento, eram panelas, no banheiro e cozinha! Viu e quase voltou pro País dela!
Limpou tudo! A geladeira então foi desinfetada com vinagre, acabou com dois litros no apto inteiro!
- Oi! Linda! – Voltando do banho de mar – Vamos comer aí em frente uns sanduíches! – em frente tinha um MacDonald`s!
- Vamus lá!
E entraram no MacDonald´s, pediu um Big e ela não quis nada, só se for um sorvete!
- Vou fazer churrasquinho pra você! Não entendo sua ojeriza, seus traumas por germes!
- Tudo tem germes! – ela falou – até nesta mostarda e ketchup – apontando os potinhos que peguei de cada um!
- Affe Marria – exclamei!- Ok! Tudo é contaminado, mas você beija e trepa! A boca tem milhões de germes e gosta! – respondi meio exaltado!
- Isso é outra coisa! – virando a cara!
Mas sempre entre namorados, se reconciliam! Só um motivo forte, para desfazer a magia!
- Então! Onde estávamos? – falou colocando o ketchup no hambúrguer, então e inadvertidamente, uma gota se desprendeu do lanche e caiu na mesa!
Fez uma mancha vermelha na toalha de papel, ele inconscientemente botou o dedo na mancha e levou aos lábios!
Na mesma hora a namorada se levantou e foi embora!
Nunca mais há viu!!!!!
Bar do Belafonte
O mar estava calmo, o mestre pescador virou o leme e rezou a Deus por ter feito boa pescaria, ancorou no seu Porto Seguro bem assim no fim do dia, mas antes que nunca! Como foi difícil a madrugada, segurar a tempestade, mas chegamos! O Sol se entrevinha entre as nuvens que se iam.
Resolveu deixar seus piratas, levar os pescados para a balança! Estava cansado!
Decidiu ir para o bar do Belafonte! Deu um aceno de adeus ao pessoal do barco, que ainda tinha o dever de aconchar os peixes limpos e mandar pra balança! Sabia que estava com o barco cheio! A Pescaria foi boa!
E com um sorriso indescritível no rosto, pensou que com a pescaria poderia pagar suas despesas de aluguel deste mês!
Enquanto tomava uma e umas no bar do Belafonte, viu passar aquela bundinha de dezoito anos que abundava sua imaginação …..e então perguntou à bundinha, qual era o presente….Ela disse e Êle foi!
Esposa? hora a esposa!
Tem Dias Que Tudo Dá Errado
Deu pau!
Desabafo!
Os últimos sete dias foram de tal forma inusitados, que devem ser definitivamente apagados da minha memória.
Começou na segunda feira retrasada, quando me deu um mau jeito na coluna, ao carregar o carro com tensores de forma. Tudo bem que já tive este problema antes, marquei consulta com o médico na tarde deste dia, me examinou, receitou o antiinflamatório e se caso não melhorar, consultar um quiroprático. Na terça já estava melhor, pouca dor na coluna, mas puxando a perna esquerda. Já no escritório me veio a primeira notícia pelo telefone:
- Zelador do meu prédio: “Seu João estou em frente do seu apto e estou sentindo um cheiro de queimado……posso entrar?”
- João: “Claro, entra logo” – e aí fiquei tentando lembrar…!!!! Karái! Esqueci de tomar o leite e deixei o fogão aceso…
- Zelador: “Seu João…!”
- João : ” Já sei, deixei o leite no fogo, né mesmo?”
- Zelador: “Isso mesmo, e a caneca já era……”
- João: “Tudo bem, à noite passo no super e compro outra, obrigado pela ajuda.”
- Zelador: “Não tem de quê seu João, mas se passar no super, compre também outra tábua de passar roupa…..”
- João: “?????????????!!!!!!!!!!!!!!”
-Zelador: “…esta aqui já era, o sr. também esqueceu o ferro ligado!”
Merde! Tá dando pau na minha cabeça pensei comigo, mas enfim…vamo qui vamos.
Na quarta feira, acordei mal, a dor na coluna aumentou a nível do quase insuportável e já no escritório, marquei consulta com o quiroprático. Aí veio a segunda notícia pelo telefone, era da casa de repouso (muito boa por sinal) onde está a minha mãe, informando que eu havia comprado o remédio certo, mas na embalagem errada, tinha que ser em comprimido e não drágeas. Putz….minha cabeça tá dando pau mesmo, com a coluna pegando fogo, fui à farmácia e comprei o remédio certo ( só uns $247,30) e despachei via moto boy. À tarde fui ao quiroprático e ele num “track” colocou a coluna no lugar, puta alívio.
Na quinta logo cedo, apesar de umas cagadas da obra me sentia muito bem, tanto que fui ajudar a colocar as latas de tinta no carro e não deu outra….”destrack”, lá se foi a coluna de novo!
Não sei como cheguei no escritório, liguei pro éfedapê do quiro, mas infelizmente, ele viajou, consulta só no dia seguinte de manhã…….. táqueupari, agüentar a dor mais 24 horas!!!! Suava só de pensar, mas não bastava não, atendi uma ligação da administradora do meu cartão de crédito perguntando se eu estava fazendo a despesa de $$$$$$$$$ reais em uma loja no shopping de Campinas!!! Claro que não confirmei, usei meu cartão na padaria da esquina pra tomar um café com pão de queijo, e logo em meia hora estaria em Campinas? Avisaram que meu cartão foi clonado, a administradora tomou providências e infelizmente só vou receber o novo cartão dentro de no máximo dez dias, o antigo deu pau e está sendo cancelado. Beleza pensei, agora pra pagar só no cacau, mas vamo qui vamos.
Na sexta de manhã, depois de uma noite mal dormida no escritório para adiantar o serviço (lá tem cama, travesseiro, lençol, cobertor, baratas e nada de mulher), chamei o táxi e fui ao quiro. O cara mexe aqui, empurra pra lá, puxa pra cá, entorta acolá …e no final decreta:
-Quiro: “Agora não tem condições, o sr distendeu o tendão da (sei lá que vértebra) e está inflamado, além de que o nervo ciático está fora de lugar, vou te dar uma injeção para relaxar a musculatura, compre este remédio na farmácia, vá para casa , tome banho quente três vezes por dia e o mais importante! Repouso absoluto na cama. Volte na segunda feira às sete horas, para colocar a vértebra no lugar.”
- João: (Em pânico absoluto) “Segunda feira? Tá louco? Bebeu? Como vou agüentar a dor por mais três dias inteiros? Não dá pra dar um jeito?”
- Quiro: (Com a cara impassível de um Buda em estado alfa, afinal é japonês!) – “É necessário, pelo estado em que a sua coluna está neste momento qualquer coisa que fizer, pode lesar o nervo. E jeito tem, mas exige hospital, anestesia e bisturi!”.
Conformado, fui pra casa! Tomei o banho, o remédio que ele receitou e deitei na cama, pensando em passar o tempo zapeando a TVA a cabo. Má quê? Má quê? Sem sinal? Deu pau? Deu! Merde! Merde! Merde! E o telefone sem fio na sala a uma distancia insuportavelmente quilométrica para uma pessoa no meu estado. De novo em pânico absoluto comecei a checar meu kit de sobrevivência urbana que tinha ao alcance das mãos; som, celular com bateria fraca, carregador de celular, cigarro, isqueiro, três livros já lidos, um litro de água gelada, um litro de leite, um bom bocado de ovo de páscoa, remédios e várias revistas antigas, um inacessível CP Windows 2000 plugado na telefônica no outro quarto, só faltava mesmo o penico, mas podia usar o recipiente do leite. Bom, pensei, não estou tão mal assim, mesmo porque a arrumadeira chega por volta das 14:00 hs e ela pode preparar meu almoço. É só uma questão de paciência e vamo qui vamos.
Resumindo o fim de semana, após um help para minhas filhas, elas vieram, abasteceram de comestíveis a geladeira etílica, fizeram o almoço, a mãe delas me ajudou a tomar o banho, me deram o livro Xogum para ajudar a passar o tempo e na segunda me levaram, já sem tanta dor ao quiro, que novamente deu o “track”, recolocando a coluna e o nervo no lugar. Maravilha! Voltei a ser senhor do meu próprio corpo de novo, eita sensação boa! Seguindo o conselho do santo quiro, voltei pra casa e dormi! Dormi, quase vinte horas seguidas.
Na terça passada voltei ao escritório, numa boa, louco para ver o resultado das concorrências que participamos via Internet e também o relatório, medição e imagens das obras novas;
- Emersom (o comprador): – “E aí cara está melhor? Tá sarado?”.
- João: “Bem melhor! Tou novo, nem te conto o que aconteceu, parece que deu pau em tudo na semana passada!”
- Emersom: “Engraçado você falar nisso! Aqui, deu pau em tudo ontem”
-João: (Já ressabiado, adivinhando a resposta) – “Fala! O quê aconteceu?”
- Emersom: (Respondendo, procurando deixar a mesa entre ele e eu) – “Para começar, na tempestade de sábado deve ter caído um raio na rede de telefone e queimou o PABX, o técnico vem hoje, na obra deu pau na rede elétrica queimando o motor dos dois bambolês (máquinas alisadoras de piso de concreto de quadra) durante a concretagem e…”
- João: “ê ?……….”
-Emersom: “Deu pau também no troço do Speedy lá do seu servidor, e parece que o servidor não inicia o Windows, o técnico já veio, levou e só devolve amanhã ou depois!” (saindo disfarçadamente para o banheiro)
- João: “……………………………………………………………………..”
Estou em sérias dúvidas!
Desço pra praia, tomo um banho de mar com sal grosso e mando uma oferenda pra Janaína? Ou espero chegar o dia nove, viaduto Sta. Efigênia, sair levantando a tampa do bueiro e ficar diante do Papamóvel para pedir a benção do Papa?
Gente!
Foi muito bom que gostaram! Nem sei que dizer!
João Sanches
Regras de Gugleano!
1ª Se xupar a exposicão de um único blog, ou comentário! É plágio!
2ª Se xupar as exposições de diversos blogs, não é plágio! É pesquiza!
3ª … (ainda em debates na assembléia dos plagiadores)



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