Paixão.

 

Conheci a Veneza dos apaixonados, pelas pontes recifences
onde derramo prazeres ainda não enviados.

Frases em penumbra ecoam
A paixão trai a si mesmo.

Nesse reduto de luzes amarelas
que inflamam córneas
sob essa ponte solitária
a cabeça vai se banquetear, enquanto o corpo passa fome.

Embriagada de sonhos
A pintura da paixão em vermelho e branco
foi pecado mortal
a âmbara das faces nasce dos erros.

Embora vã beleza encha os olhos
ela não reage a floreios coloridos de elogios.

Embaixo da ponte a paixão se sucumbi a fenecer em vento.
Se foi Veneza, se foi Paixão.

Thayse Dantas

 

 

Decompaixação:

P – além de simples letra do alfabeto, expressão miguxótica de gaiatice de ponta de língua que se mostra no canto esquerdo da boca…

Pa – pá ou pã, ferramenta usada no campo e na cidade, ou divindade que cuida dos rebanhos para que não deixem de se multiplicar…

Pai – do céu invocado sempre, da terra invocado por vezes, bons, maus, presentes, ausentes, casados, solteiros, até mesmo gays…

Paix – paz, no lindíssimo idioma de Racine; ademais de esperada sempre, nem sempre alcançada ou perene, mas sempre “très chic”…

Paixã – absolutamente nada, até onde eu o saiba…

Paixão – tudo, confesse-o você!

 

Evandro

 

Tendência a ficar,

As coisas vão,
Vejo-as passar pela TV.
Janela da sala…
Inércia

Parado, passado.
Tudo passa em frente,
O mundo…
Sem olhar para traz.
E se não for o epicentro?
Egocêntrico.

Força que vence a si mesmo,
Cai, levanta, segue em frente…
Mais uma dose.
Sempre por favor,
Ou…
Por favor, sempre,
Mas queria voltar.
Retroceder…
Fortaleza

Ausência sentimental,
Beijou-me e disse:
“Não quero namorar-te”.
Casei-me,
Acordo…
Malas prontas…
“Leve-me, não quero ficar”
Levei-a…
Ficou a paixão!

 

O Seta

 

 

Paixão é vinho ocre cintilando no copo, é o vermelho vivo hébrio de nossos desejos, entorpecimento consentido de nosso ego inflado. Aos amantes o que se compara a chama, estopim de química sobrepujando a pele e desafiando a razão.
Paixão é o nosso despudor estampado nos atos e despreocupadamente repetidos até a exaustão.

É o comparar-se euforicamente a um espelho de metal polido que apenas retrata o semblante sem a nitidez de traços. Tudo como se fosse um enorme emaranhado de fitas soltas que juntamos uma a uma em nossas mãos acreditando estarmos presos a um cordel que nos levará até o final do arco-íris, lá onde moram as fadas e todos os entes habitantes de nossos sonhos.

Que mal há em tirar de seus minutos finitos nesse mundo tão caoticamente perdido, tão forçosamente atrasado e, estar apaixonado sendo o senhor de felicidades que podem mostrarmos os humanos mais humanos aquilo que ele acredita ser?

Faz mal estar enamorado ou escutar sinos e ver estrelas na cor fucsia pousarem delicadamente na palma de suas mãos?

A paixão é na sua sabedoria a inteligente forma de soberania em mostrar com ridículos somos ao viver em prismas opostos de razão e emoção. Não condiz com grandes gênios olharem em seu rol de pessoas queridos a emoção tão exposta de nossos sentimentos. Quando se sorri sozinho ou na calada da noite faz um desenho supostamente real do nome do amante acreditado que o papel perpetuará o que a consciência já repete freneticamente em símbolos talvez ainda não estudados.

Essa magia, ( seria esse o nome certo?) para os momentos de pura abstração do feio, do cinza e do inefável que nos conduz a nossa mais animalesca e primitiva forma de viver e nos atira na cara nossa fragilidade de espécie que insistem em rosnar como cães raivosos.

Os brutos se apaixonam, se despem,se debruçam e fazem cócegas nas suas mãos as vezes embebidas de ódio e de lamentações.

Paixão não sendo analisada pelo bom ou pelo mau, mas na sua arte de fazer as vezes um tolo tornar-se um ser amado.

 

É ela o verniz que alimenta os olhos dos que se entregam as luxúrias, delírios e ao animal humano.

Sendo da sobrevivência à ela o resultado de uma guerra dantesca que faz brotar o mais poderoso dos sentimentos….desde de que persistamos em não nos contentar com o brilho simples do verniz.

M Soleni.

 

 

Paixão

UMA CONVERSA MALUCA…

- Boa noite, Paixão!
- Boa noite, José. Ainda apaixonado?
- Paixão… te quero… és minha Paixão…
- José… sou uma figura criada pelos humanos. Sou irreal… Sou uma nuvem… uma forma de pensamento.
- Paixão, tu és nuvem? Que diabos está falando?
- José, ligaste para a pessoa errada. Sou o sentimento, não a mulher…
- Que mulher?
- José, mudaste de gosto? Nada entendo mais…
- Paixão, me ajude… Estou apaixonado.
- Começando a insanidade… Quem é o homem?
- Que homem?
- José… ligaste para mim, diretamente… e te respondo. Incendeio, arraso com a vida de todos os que posso… mas não te entendo…
- Paixão, liguei pra ti… Sou apaixonado, louco, biruta… e só por ti…
- José, seja claro… estou insana… o que queres de mim?
- Paixão… estou apaixonado…
- Hein??? Apaixonado por um sentimento? Que número ligou?

(Cai o pano)

 

Clara

 

 

Te Amo

te amo como amam os tolos
de corpo, alma e coração
sem senso, sem medida
sem razão

te amo como amam
os condenados e perdidos
os desesperados, aflitos,
os apaixonados

te amo como poeta frustrado
cheio de sentimento
vazio de palavriado

e o que mais sou eu
do que um tolo
um condenado
perdido, desesperado
aflito, apaixonado
e poeta frustrado?

nunca um verso meu há de merecer-te
nunca um de meus gracejos
pagará um sorriso teu
te amo como um endividado

como um tolo apaixonado

te amo.

Te amo além do amor
te amo além de onde acaba o amor
te amo além da vida e da morte
do tempo e do espaço
além das palavras, da rima
do sujeito e do predicado

te amo além do além
te amo onde ninguém ama
te amo onde ninguém amou
te amo com a vida
te amo com meu amor
por ti não derramo
uma só lágrima
que não seja doce
pois o amor é doce
a vida é doce
quando vive para ti

 

Lucas

 

 

Oi Paixão!

 

Bom dia, querida.
Bom dia por existires,
Bom dia por seres fogo, mas seres boa enquanto queimas,
Bom dia por fazeres meus olhos brilharem.
Bom dia pelos ótimos momentos que me dás…

Boa tarde, Paixão!
Boa tarde, querida!
O crepúsculo se avizinha.
Tu és ainda minha amiga.
Sabes que ainda ardo por ti.
Sabes que seu fogo ainda vibra em mim.
Boa tarde, querida.

Boa noite, Paixão!
Boa noite, querida!
O crepúsculo caiu e a conheci por inteiro.
Conheci suas mentiras,
Conheci seu fogo e vivi nele…
Paixão, amiga, querida, bela…
Eu a conheci…
E soube que me apaixonei não por você,
Mas por seu irmão, o calmo e tranquilo Amor…

Boa madrugada, Paixão.
Boa madrugada, querida!
Eis que caminho para a partida
A última…
Amando seu irmão, parto agora.

Um dia voltarei, Paixão!
Mais sábia, muito mais sábia.
Como tu, sou fênix…
Ressurgirei…

 

Clara