Tempo

Faltou-lhe sempre tempo… Era como se essa difícil “mercadoria” lhe escapasse dedos afora ao passar todas as vezes pelas mãos agora enrugadas. Não tivera tempo de ganhar dinheiro, de amar, de ter a família que almejara um dia, de divertir-se ao menos. Em todo tempo disponível que tivera, sonhara. Isso mesmo: sonhara! A carreira brilhante, os estudos contínuos, o exercício da profissão, ser procurado e admirado por muitos; a mulher divina e a um tempo demoníaca, que tanto o encantava sedutora ao esgotá-lo quanto lhe trazia o carinho doce e meigo, do sexo mais febril e do sono tão sereno; os filhos, os netos, uma construção viva, a extensão de si; perder-se afinal em tanto céu, tantos mares, nas trilhas das matas, na força indomável das cachoeiras – tudo sonho!!! Sonhara, como nós agora o fazemos, tão-somente sonhara, o que é muito bom… Mas deixara o melhor escoar, a realização ficara impossibilitada na ausência minutal do fazer; do tentar. Agora, para nada mesmo, com certeza absoluta, tinha todo o tempo do mundo, e também do outro, ao dispor, ao seu inteiro dispor. Sonharia, ainda, mas não mais, sob o efeito deletério e irascível do tempo, acordado.

EVANDRO

O tempo

O tempo é um dos senhores da vida humana. Aquele que nunca se pegou olhando para um relógio, torcendo para que os ponteiro andassem mais rápido ou a passos de tartaruga, que atire a primeira pedra.
Paradoxalmente, em certos momentos da vida o ser humano tende a inverter seus valores em relação ao tempo. Você acredita que com você isso não acontece? Veremos.
Em um exercício de livre imaginação. Imaginemos que por um motivo qualquer a sua, e apenas, a sua vida se extinguirá em 48hrs. Quais seriam suas atitudes nessas parcas horas que lhe restariam? Que pendências você resolveria, que desejos você realizaria e que mudanças em sua vida você faria?
Aposto como a maioria das pessoas consegue imaginar uma lista de pelo menos 10 coisas urgentíssimas. As quais daria total prioridade nessas 48hrs restantes.
Imaginemos agora, que por outro motivo qualquer a população mundial fosse informada que a raça humana se extinguirá em 48hrs. Com quem você falaria? Que reações você temeria que os outros tivessem? Com quem você gostaria de compartilhar os últimos momentos da raça humana?
Ganharia outra aposta, com talvez uma lista maior ainda de afazeres apressados e agora dotados de suma importância.
Mas e se o acaso reservasse a surpresa de apenas você tomar conhecimento da extinção da raça humana em 48hrs? Quais atitudes você tomaria nesse caso em diferença à segunda hipótese? A quem você confiaria esse fatídico segredo?
Incrível perceber, que uma grandeza física e imutável em seus parâmetros para nós, possa tomar tão diferentes valores e nuances conforme a situação em que nos encontramos.
A hora dos exemplos acima, tem 60 minutos. Cada um desses com 60 segundos. Correto?
Agora esqueça todos os exemplos, vamos tirar esse peso do ombro, relaxar e voltar a nossas vidas repletas de minutos, semanas, meses e anos.
Uffa! Um alívio, não?
Agora me responda: Porque os minutos tinham muito mais importância quando você imaginava que o mundo acabaria, do que tem agora?
Ainda é o mesmo minuto, com os mesmos 60 segundos. E acredite, você tem muito poucos se parar pra pensar.
Segundo o escritor Bill Bryson, se a idade do planeta terra fosse compilada em um filme padrão de 90 minutos a historia da humanidade neste planeta seria imperceptível em velocidade normal e duraria milésimos de segundo em slow motion.
Você ainda olha pro relógio da mesma forma depois de ler isso tudo?
Não deveria…

Tic… tac…

RENATO

KARÁIOS!

O que é o Tempo? Coisas do tempo que nos vai ver chuva? Talvez sol? Talvez ….. êsse, seria o tempo! Sim, este que a gente fala no elevador quando vai pra casa!!

Mas tem outro lado! Tem o Tempo de se achar como pessoa!

Tempo de dizer que eu fiz o que fiz!

Tempo de administrar meu tempo!

Uns administram seu tempo pelos que lhe falam, por faltam de Tempo. Para estes, não tenho tempo!

Afinal não tenho Tempo! Vai entender! Meu Tempo eu mato como entender, meu tempo carece sem sentido até aqui!

Mas tentando!

Deveria falar como o Charles Darwin.

” O homem que tem coragem de desperdiçar uma hora do seu tempo, não descobriu o valor da vida!”

JOÃO SANCHES

Minutos antes de sair…

Nada a postar porque o Tempo, Senhor de Tudo, mais poderoso que “O Senhor dos Anéis”, mais forte que tudo, me impede.

Tempo, oh tempo… se soubesse seu segredo, o de correr mais do que eu, não contaria a ninguém. Não contaria que você é um traidor… não contaria que a cada dia que vivo, o vejo diminuir… e não contaria, nunca, o quão perverso você o é.

Chamá-lo por Tu ou Vós? Jamais… Você… entendeu? Entendeu mesmo? Você diminui a cada dia que vivo e se ri de mim. Há um problema nisso tudo, Senhor Tempo, um grande problema. Sei que rirá por último, mas enquanto posso me rirei de você (“você”, entendeu?). Não quero conjugar verbos para falar sobre ti (traí-me)… Por que me fazes trair a mim mesma? Duas conjugações erradas e por tua culpa (ou seria “sua” culpa?);

Tempo, tempo…. quem és tu? Tornei a errar… quem é você?

Sou amorosa com você, portanto… quem sois vós?

Nunca me responda: “Eu sou”, porque também saiba tu… também sou…

CLARA

Ainda há Tempo

É tempo de amar,
No tempo do perdão.
Vamos! Juntemos nossos corpos,
Esqueçamos do cruel e soberano.
Dono de nossa centelha!
O que corre levando nossas vidas,
E cada momento que desfrutamos juntos.
Vamos encenar que nessa cama,
Somos imunes aos seus domínios,
E entreguemos nossas almas
Aos delírios desse sonho.
Vamos! ainda há tempo.

É tempo para acreditar
No tempo da razão.
Razão que se dá pela soma desse amor,
Amor dividido pelo coeficiente da saudade,
Saudade essa controlada pelo tempo,
Tempo que rege a hora da explosão,
Explosão de suor e desejo que emana,
Quando há o encontro de nossos olhos.

SETA E THAY

Minha relação com o tempo sempre foi marcante. E muito pela minha relação precoce com o instrumento criado para medir o tempo: o relógio. Ok, eu nunca fui normal. Como não seria normal um garoto de seis anos pedir um globo terrestre de presente de Natal. Eu pedi. Já disse, não sou normal. Pois precocemente aprendi também a ler as horas, e isso me fascinava! Quando eu passei da primeira série para a segunda, meu pai me deu… Um relógio! Então, com menos de oito anos eu era o feliz proprietário de um lindo relógio Superatic. Coisa mais linda! Elegante, redondo, fino e leve. Quarenta anos depois ainda me lembro dele. Acompanhava minha infantil elegância em festas, eventos e missas. Sempre. Eu dominava o “tempo”! O verdadeiro “Senhor do Tempo”.
Embora eu adorasse meu relógio, havia um pequeno problema. Ele parava inexplicavelmente às vezes. Mamãe dizia que meu relógio não era “antimagnético”. Eu ainda não entendia, mas aceitava. E dava corda nele, para não parar.
Mas a gente vai crescendo. Quinta série. Economizei uma grana, porque estava namorando um relógio novo. Eu e os amigos do Colégio Estadual Central íamos de carona do centro de BH para a aula, assim eu economizava uma passagem por dia. E quatro anos depois do meu primeiro relógio, eu mesmo comprei meu segundo, um Megalo de fundo azul, mostrador redondo, caixa quadrada, com ponteiro de segundos e data! Grande. Eu estava crescendo e querendo aparecer… Época de calças boca de sino, sapatos com grandes solas e saltos e eu com aquele baita relógio de fundo azul. Massa! Outra coisa, com o ponteiro de segundos comecei a treinar apinéia e cheguei à marca de 75 segundos, sem treinamentos específicos. Nada mal…
Meu pai cismava que era um relógio ruim e barato (comprei com meu dinheiro, queria o que? Um Omega? O nome parece…). Só porque a precisão não era um dos predicados do meu Megalo azulão… Mas e daí? Eu acertava manualmente!

Então, alguns anos depois meu pai ganhou um Mondaine (enfim uma marca conhecida, heim?) numa rifa. Era muito bonito! Troquei a pulseira original que era daquelas do tipo braçadeira metálica. Comprei uma de couro. Ficou lindo! Discreto, que diferença pro azulão… E preciso, com certeza. Cara… Esse Mondaine me acompanhou por muitos e muitos anos, até uma noite fatídica de farra (hoje chama balada…) em que a lente do relógio se perdeu! Tive que parar de usar…
Todos esses relógios eram movidos à corda, ou seja manualmente. Um amigo meu, no terceiro científico ganhou um eletrônico, movido a bateria. Ele ficava apagado, um grosso visor vermelho. Quando você queria ver as horas, apertava um botão e, por alguns poucos segundos, aparecia a hora. Que se apagava para economizar a preciosa bateria. Espantoso! A modernidade estava chegando.
Pouco tempo depois eu me casei. Como dava aula particular, controlar o tempo era importante. Comprei um Seiko, meu primeiro relógio a bateria. Era muito bonito, muito elegante. Todo preto, inclusive a pulseira metálica, tinha ponteiro de segundos e data. O relógio mais elegante que já tive. E que quase me causou um caso diplomático internacional, quando tentei comprar bateria para ele em Isla de Margarita (Venezuela pré-Chavez, ou seja, um país civilizado). A vendedora duvidou da autenticidade da minha nota de vinte dólares. Quase criei um incidente internacional envolvendo Brasil, Venezuela e Estados Unidos.

Mas nessa época eu já usava outro no dia a dia, aliás, comprado uns seis anos antes. Eu era Engenheiro de Campo e precisava de um relógio parrudo e, por motivos profissionais fortíssimos, de um cronômetro preciso. Comprei meu primeiro relógio digital: um bravíssimo Casio G-Shock. Calibramos uma centena de sistemas de pesagem Brasil afora! Cronometramos precisamente algumas centenas de vôos pelos quatro cantos deste país. Quase oito anos após a compra, ainda funcionava com a bateria original! Espantoso!
Depois comprei outro que nem me lembro a marca, de tão irrelevante que foi. Um relógio tipo esportivo, grande, pesado e sem graça.
No meu último casamento, minha esposa me deu de presente o que até hoje é meu relógio: um Casio TwinCept. Um relógio digital com ponteiros, cuja lente é na verdade uma tela onde podemos ver a hora em formato digital, a data, hora de outro fuso horário, etc. Levíssimo, discreto. Sensacional.
Mas meu último relógio foi um grande camarada: meu Oregon de corrida, com cinta de frequencímetro cardíaco. Quantas horas de treinos, dezenas de corridas… Devo ter corrido e treinado quase 2 mil quilômetros com ele. Mas o medidor cardíaco parou de funcionar, infelizmente. Providência? Um novo relógio de corrida: Polar. Estou só esperando chegar na loja.
E vejo que uma parte de minha vida esteve ligada aos relógios, uma vida contada em função dos meus relógios…

FERNANDO