Renato

KATTE KABUTO NO O WO SHIMEYO
Era madrugada…
O som abafado do trote dos cavalos. O murmúrio dos homens.
Mesmo de olhos fechados concentrado em minha conversa com meus deuses eu podia sentir…
O cheiro de terra molhada se apossava de minhas narinas. Terra molhada de sangue.
Agradeço o tênue momento de vitória e peço proteção para a próxima batalha.
Subo em meu cavalo e disparo na direção daquele homem. Olhos sábios. Como me envolvem.
Ele não me diz nada, apóia sua mão direita em meu ombro e eu sei o que fazer.
Desejo-lhe sorte. Em seus olhos vejo o mesmo desejo para comigo.
Pela honra, pela glória. Devo-lhe a vida. E gratamente hoje eu a oferecerei em sacrifício.
Em tempos distantes nos encontraremos novamente para renovar nossos votos de amizade e sacrifício. Eu sei disso e ele também, de alguma forma.
Viro-me e cavalgo em direção aos meus homens. Arqueiros, espadachins e lanceiros.
Cada um tem nos olhos a certeza da obediência e do desejo de honra e glória de um samurai.
Fomos honrados com o dever de desferir o primeiro golpe ao inimigo, dar tempo a nosso shogun.
Não é preciso dizer mais nada.
Ao me verem de Yoroi fechado e punho fechado com um dedo em riste, cortando as nuvens negras de um céu outrora tão azul, eles sabem que o momento chegou.
Partimos como flechas em direção ao inimigo. Nossos olhos brilham como fogo… nossas almas como o fio de nossas espadas…
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Evandro


Um dia para não esquecer.
Meu Deus, que dia foi aquele? Jamais poderia imaginar que as coisas fossem acontecer daquela forma… Estávamos na Ilha do Mel, a meia hora de barca de Pontal do Paraná, estação ecológica e local aprazível para um turismo limitado, bem orientado; ficaríamos alguns dias, dias lindos e noites mágicas.
No entanto, veio a idéia: que tal cruzarmos duma a outra parte da ilha, ou seja, de Nova Brasília a Encantadas, por terra? Pois é! Terra? Não bem assim – por morros pedregosos e com caminhos escabrosos.
Foi o primeiro. Que horror! Pensava o tempo todo que cairia e… adeus! Desequilibrado e mal de coordenação motora, deixei evidente que sem ajuda (a vergonha se fora) não me moveria. O risco era sério! Desse, ao segundo. A mesma idéia de “vou morrer agora”. Estava um pouco mais conformado. Até que chegamos a uma praia estonteante, lindíssima; comemos um peixe inigualável!
Mas a vencer lá estava o terceiro. Que tensão! Uma hora olhei para baixo e quase, fui seguro e me salvei… Continuamos. Ao chegar, xinguei tudo e todos com aqueles belos nomes que aprendera desde tenra infância.
Como estava em êxtase, inventei (a maré havia baixado) de entrar na gruta. Local pitoresco, fui até o fim, toquei o encontro da rocha com a areia quase seca, e… e a água entrava, célere. Aguardei um pouco, até que ouvi que gritavam desesperados o meu nome.
Não sei honestamente como, foi automático, instintivo: no retorno de uma onda pisei em pedra pontuda e sei lá mais em que, feito um alucinado a correr, e fui agarrado e puxado nervosamente para junto do grupo. Abraços, broncas, tudo misturado, e eu rindo… de nervoso, a jurar a mim mesmo que nunca mais faria aquilo. Voltamos, claro, numa canoa.
Vocês não vão acreditar, eu sei, mas ela quase virou…!
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Roubet

Um dia inesquecível
Aos treze anos morava num bairro tranqüilo de Niterói não havia muito movimento por lá, os meninos não eram tão informados como hoje, inocentes até certo ponto. As meninas muito bonitas e graciosas causavam um burburinho entre os meninos ao sair à tarde depois do banho para conversar, brincar de roda e outras coisas, eram só perfume os meninos idem. Mas uma me atraia em particular, não só a mim – Maria das Graças – dezessete anos, linda, vestia-se como uma boneca, cabelos castanhos avermelhados em cachos sobre os ombros, olhos castanhos claros, lábios carnudos, na medida, sempre úmidos, dentes alvos e alinhados, pele ligeiramente alva, corpo bem formado, ligeiramente opulento, sapatos baixos, vestido em tons claros, rodado, ligeiramente acima dos joelhos deixando-os a mostra – isso na época era o máximo – decote reto com alças, suas mãos de anjo macias, de toque aveludado, mas os destaques eram seu sorriso acompanhado de trejeitos e sua expressão corporal, além da voz macia de bom timbre falava também com o corpo.
No dia do aniversário de Maria das Graças foi um alvoroço, melhor roupa, perfume, cabelos alinhados e tudo mais que a vaidade lembrou, à noite ao chegar à festa a sala já cheia de gente, disco na vitrola (Românticos de Cuba), a luz central dera a vez a luzes laterais de meio tom, meus olhos vivos procuravam pela anfitriã e lá estava ela linda deslumbrante com um sorriso franco e arrasador, veio me cumprimentar, senti seu perfume e seu hálito fresco, meio sem jeito pedi desculpas traria o presente depois, mas ela arrematou dizendo: – a sua presença é mais importante, fiquei ali parado como que sonhando, claro ela dizia por educação, pediu que entrasse, entrei e dei um alô prá turma, mas não tirava os olhos dela que devolvia seu sorriso.
A festa corria livre, conversas risos e eu tentando dançar com Maria das Graças, minhas tentativas foram frustradas, lá pelas tantas eu aflito a festa prá terminar, já pouca gente e começa a tocar uma musica lenta, Orquestra Brasileira de Espetáculos, Maria das Graças olha pra mim e diz: – vem ainda não dancei com você! Quase não tive pernas para ir até ela de braços abertos, tremi ao sentir aquela menina colada ao meu corpo, não havia mais música e não sentia meus passos, a sua proximidade, o toque de suas mãos foi uma explosão em todo meu corpo, mal tivera tempo para organizar meus sentidos e ela colou seu rosto ao meu, tremia e meus sentidos foram aos céus, ajeitei minha mão direita em sua cintura, segurei sua mão esquerda suavemente juntei-a mais em mim e dançamos.
Nenhuma palavra foi dita aproveitávamos o momento, após alguns segundos, inesperadamente, Maria das graças retira do meu ombro sua mão e com as costas dos dedos faz um carinho em meu rosto, um terremoto tomou conta de mim de tanto que tremia, mas ela continuou como se nada notasse e eu quase desfalecendo. Ela descolou seu rosto do meu colocou seu olhar em meus olhos e eu resisti bravamente à proximidade de seus olhos, em seus lábios úmidos um sorriso leve de hálito doce e quente ia devolver-lhe o sorriso, mas ela não deu tempo colou delicadamente seus lábios entre os meus.
O mundo explodira em sensações, mil pensamentos e mil palavras a serem ditos em um beijo estonteante. Ela colou de novo o rosto no meu, me atrevi a subir a mão direita acima do vestido em suas costas para sentir sua pele, ela retribuiu colocando sua mão em minha nuca com carinho. No portão, na despedida, beijou-me a face e sussurrou: obrigada pelo presente, esforcei-me por uma lembrança inexistente e num lampejo com voz rouca e tremula perguntei: – você gostou? Ela respondeu sorrindo: muito. Desnecessário dizer que passei a noite em claro, a excitação era grande. Sua lembrança é forte e rica em meu mundo particular, ensinou-me um jeito diferente de amar. Aquele foi um dia inesquecível, nunca mais vi Maria das Graças seus pais mudaram-se do bairro.
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O Seta

Um dia…

Minhas lembranças começam com meus olhos abrindo
Eu sinto meus pés tocando a areia.
Estarei aqui há horas talvez, ou posso ter cochilado apenas um minuto.
Deveria lembrar como ou quando cheguei,
Mas a visão desse corpo diante de mim me afasta de qualquer realidade.
Rio sonsamente, como quem sabe que sonha.
Meus ombros agem involuntariamente
Fazendo minha cabeça se movimentar num delicado gesto de negação.
Como quem idealiza não ser real,
Como se não pudesse confiar no que observo.
Por que ela estaria aqui, tão próximo de mim?
Preciso desperta e escapar deste sonho!
Há algo de tão real nele que me assombra.
Ela nota meu espanto, suavemente está esboçando um sorriso,
Com um leve movimento de cabeça me cumprimenta e se vira,
Como se meu rosto lhe fosse completamente habitual.
Começo a me situar, estou em uma área exclusiva.
Não sei se as horas no sol ou suas curvas enleiam meus pensamentos.
Novamente com seus olhos amendoados está a olhar pra mim,
Num gesto espontâneo ou desesperado, de quem quer ficar calado,
Pergunto-lhe mais que com ironia:
- Quem é você?
- Me diga primeiro quem é você.
Ela retruca com a voz tão serena que sinto algo correr por minhas costas.
- Sou quem sonhava em ir com você tomar um sorvete, logo agora, antes de acordar.
Com uma gargalhada macia e esplendorosa ela se move em meu sentido
Sem conseguir falar, mas explica a intenção de aceitar o convite.
Sorvete nas mãos, sentados novamente,
Ambos agora sob o abrigo de meu guarda-sol.
Horas de conversa sobre tudo que estamos descobrindo ter em comum.
As mesmas músicas, as mesmas artes.
Completamo-nos em nossos sonhos, em nossos planos.
Descobertas como ela amar a Gal enquanto eu adoro Bethânia.
Parece não ser real, por que de repente devemos os dois estar aqui?
Entre uma risada e outra acabo de notar que nossas mãos já não têm limites,
Ela esta roçando suas unhas em minha barriga, eu acaricio seu joelho em sentido sua coxa.
E agora? Ela notou meu espanto!
Não sei o que fazer, mas a vejo com um semblante diferente, de culpa,
Mas está se aproximando de meu rosto, seus olhos se fecharam.
Eu não acredito, e a beijo.
Seu gosto é o mais doce do que algo que alcanço me lembrar.
Olhamo-nos com a mesma expressão, de contentamento misto a vergonha.
Sei exatamente o que passa em seus pensamentos,
E isso me assusta, pois sei também que ela sabe o que se passa nos meus…
Esse silêncio que há agora é mágico, fala mais que qualquer poesia,
Mostrar mais que qualquer expressão de nossos olhos,
E se estende por tempos e tempos.
Como pode? Estou vendo seus olhos se umedecerem, neste exato momento,
No qual noto que lágrimas surgem nos meus.
Sorrimos um para o outro e nos desfechamos em um longo abraço apertado.
Ela olha profundamente dentro de mim…
- Que pena, nunca imaginei que seria assim que se descobre o amor! Mas é tarde pra mim.
Ela beija meus lábios de maneira tão suave que não consigo mais abrir meus olhos.
Pega sua pequena sacola de praia me diz adeus e vai embora.
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João Sanches

Um dia de domingo.

Corria o inverno de 1.976, tinha 22 anos, fechei os exames de semestre do 4º ano da faculdade e me mandei numa sexta de julho pra casa de meus tios em Rinópolis. Meu primo, o Lúcio, continuaria em São Paulo para os exames, enquanto isso eu sairia com os amigos da cidade, principalmente o Binho, farrista que nem eu. Na tarde do domingo seguinte, haveria um jogo de futebol entre veteranos do Corinthians e a seleção da cidade, toda a cidade iria comparecer, fomos para o estádio e nos sentamos na arquibancada de madeira entre o pessoal conhecido. Nisso alguém falou – aí vem as Viwalbi!
Olhei para baixo e vi três garotas bonitas, duas loiras e uma morena subindo os degraus, se acomodando junto com a patota do colegial. Interessei-me pela loirinha do meio, baixinha de 1,55 m, uns 16 anos, corpo bem feito e feições bem definidas. Perguntei ao Binho quem eram.- Elas não são para comer não bicho. – Respondeu – Os pais delas são feras, é melhor ficar com nossa turma mesmo.- Quem disse que quero comer? – respondi – Só quero conhecer a loirinha do meio, ela olhou para mim e não desviou os olhos.- Pior ainda! – disse o Binho – É a Walderes, o pai dela é o contador dos fazendeiros, não vai ter chance nenhuma. Ele se deixá-la namorar, só permite se for com filho de fazendeiro e olha lá!Mesmo com o aviso, resolvi arriscar depois de sentir que ela se virava para o nosso lado como se procurando alguém. Aproveitei a deixa que a amiga saiu, me levantei e pulando entre as cabeças do pessoal sentado, me sentei ao seu lado. Ela ficou nervosa, embaraçada, mas não me pediu para sair.
- Oi! – Disse, olhando-a nos olhos – Desculpe-me, já saio! Só queria te conhecer e…
- Áh é! É? – disse de bate pronto – Você que é o primo do Lúcio? – Pondo ênfase no “Você”!
- Droga! – pensei! Já deveria saber que em cidade pequena, as notícias voam! Minha fama na cidade, não era bem assim das melhores, no aspecto de assumir um compromisso sério em coisas de namoro. Aí que me toquei, ou melhor, senti que as pessoas em volta estavam com um olho no jogo e outro em nós! Senti-me intimidado, arrependido do impulso de iniciar uma abordagem bem no meio de um estádio de futebol lotado. E a mocinha me encarando impávida, olhando dentro dos meus olhos. Tinha um Quê de ironia e troça ao mesmo tempo! Senti alguma coisa crescendo no peito, algo novo que nunca havia sentido antes! Que lindos olhos! Azul da cor do céu. Enchi de coragem, a coisa já estava feita!- Sim sou o Júnior – respondi – Desculpe-me novamente por ter sentado aqui sem mais nem menos! Nunca te vi antes e quando você estava subindo a escada sustentou o meu olhar, por isso que queria te conhecer. Podemos conversar uma outra hora?- Mocinho! – disse em tom sério! – Claro que nunca me viu antes, você só vem para cá nas férias. Olhei-te por curiosidade! Não foi você que pescaram lá no laguinho da igreja, na manhã da quarta feira de cinzas? – agora abrindo um largo sorriso! Quase me perco naquele lindo sorriso, ressaltando a covinha do queixo!- Tendi! – me lembrando da lambança que fiz no carnaval passado. Tô fudido! – Olha, não sou bem assim como o pessoal deve estar comentando! Só quis curtir o carnaval, a turma vivia enchendo o meu copo de conhaque. Agora não posso nem sentir o cheiro!A Wal deu risada e disse – É! Acho que não! – em tom de descrença.

- Posso conversar com você mais tarde? – disse.

Ela rindo! – Não sei, acho que não, mas estarei por aí!

-Tá bom. – Disse.

Senti que ela havia terminado a conversa e fiz menção de levantar, mas aí continuou a falar.

-Tem quermesse na praça matriz hoje!

- Sim sei! Você vai?
-Quem sabe? – Fazendo aquela cara de incerteza!

-“GOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL!!!!!!!!”E o pessoal comemorava o gol que o time da cidade fez, mas os nossos olhares não se desviavam um do outro. Aquela sensação boa continuando a crescer no peito. Dei um até logo e voltei para o meu lugar antes que a amiga voltasse. Binho foi logo cochichando no meu ouvido!- Tu és louco bicho!- Acho que sim. – disse! – É hooooje, bicho, é hooooje!!!!Estava amando e nem sabia, a sensação era muito boa e difícil de descrever.

À noite na quermesse, despachei um Correio Elegante (torpedo), ao que ela me respondeu, mandei outro perguntando se sentiria constrangimento se eu fosse até lá para conversar. Ela recebeu o torpedo e deu risada, conversou com as outras amigas e para minha surpresa se virou e me chamou.

E ficamos juntos o resto das férias, bem como nos fins de semanas subseqüentes, até que ela dobrou o pai. Antes do fim de ano seguinte, éramos oficialmente namorados. Foi aí que deixei de ser farrista irresponsável e me tornei um namorado responsável. O namoro durou três anos e meio, mas isso é uma outra história! Nunca esqueço aquele dia de domingo!

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Marcia Soleni

Memórias

Categoria: importância
Espaço: mente
Período: curso de vida
Bilhete1:

Não esquecer o dia de hoje!

Bilhete2:

Não esquecer do dia de ontem!

Bilhete 3

Não esquecer do dia de anteontem

(…)

Bilhete 1.874.350123x+y+z

Procedimento
Observar as mudanças dos bilhetes, retornar ao primeiro bilhete e observar se ainda faz sentido.

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°Thay

Um dia para não esquecer…

Eu acordei, eu estava ouvindo.. apenas ouvindo.
Ouvia, só ouvia.
Não sentia.
Nao via.
Não tocava.
Não agia.
Mas o que eu podia fazer? Eu não podia falar, nem correr, nem tocar…
A única coisa que eu tinha era eu e a minha consciência.
Que por vezes, nem me respondia. Me deixava só, em devaneio.
As vozes falavam, e falavam e falavam, como se fosse natural, alguém não esta vendo, nem falando, nem andando.. conversavam comigo com tamanha naturalidade que por vezes me assustava.
Eu estava sentada em algum lugar onde o vento era brando, onde lembro-me de ouvir as folhas balançarem lentamente, e devia ser outono, eu escutava pegadas sobre folhas no chão o tempo todo.
Alguém começou a falar sobre flores, eram tantas, que seria impossível relatar 1% do que ouvi, lembro-me bem da primeira …Flor-de-carnaval – começou a falar uma mulher com voz doce – Planta de bulbo ovóide, da família das amarilidáceas, de folhas glaucas e escapo mais curto que as folhas, de cor vermelha, flores amarelo-ouro, com estrias avermelhado-escuras, espata tubulosa, laciniada no ápice, purpúrea, e cujo o fruto é cápsula cônica e turbinada.”Logo depois ouvi outra… e outra.. todas com esses detalhes, com pequenos detalhes.
Ja tinham se passado pelas minhas contas umas 5 horas… e eu ainda estava a ouvir falar sobre flores.

Lembro-me agora de mais uma…

Flor da noite – agora já não era a mesma voz, era uma voz masculina, com carinho e calma em entregar-me cada palavra, começou ele – Trepadeiras de caule longo e vigoroso, ornamental, da família cactáceas, originada no México e comum no Brasil, armadas de espinhos cônicos e escuros, cujas flores são alvas e amarelas, muito grande aromáticas, com tubo verde e escamoso e cujo fruto é baga globosa e vermelha.Eu comecei a sentir-me bem… a imaginar-me morando em um mundo de flores gigantes, tudo que eu via na escuridão dos meus olhos sem luz, eram enormes flores.. assim como aquelas que me descreviam.. era a imaginação sem bloqueios… sem limites,E eles continuaram.. e continuaram…

Ouvi tantas… que se tiverem curiosidade vale pesquisar… , Flor-da-verdade, Flor-do-amor, Flor-do-babado, Flor-do-caboclo, Flor-de-pau, Flor-de-coral.. e tantas outras… no início da noite mais flores. Veio então A Flor-da-paixão entreguei-me a uma viagem a cada palavra que caracterizava aquela Flor..

Flor-da-paixão – começou ele, já se mostrando um pouco cansado – designação comum as espécies ornamentais do gênero plassiflora, conhecidas por maracujá, de flores grandes e vistosas, e cujos frutos são muito apreciados. Seus segmentos são comparados aos objetos que serviram ao martírio de Cristo, correspondendo aos estaminódios á coroa de espinhos, os estigmas claviformes, aos cravos; os estames, aos martelos.

Senti algo incomodar minhas pálpebras.

Por um minuto consegui ver algo diferente de rosas.. vi uma senhora… parecia ter 70 ou 80 anos, estava sentada do lado de fora , numa cadeira, perto das árvores, em sua volta, seu marido, sua filha e seus dois netos.

Seu marido nesse momento abriu os olhos dela, delicadamente com seu dedo indicador e na frente dela havia um espelho.

Jamais esquecerei das flores, das vozes e de mim.

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André

um dia para não esquecer.

mais um dia que não me consigo esquecer.
Estou numa prisão sem muros.
meu corpo(já viril) está agora paralitico.
meus olhos(que já tanto viram) hoje só enchergam trevas.
meus sonhos (que voavam como um passaro) definharam e morreram.
Tento gritar (como tantas outras vezes) mas nenhum som sai.
tento chorar (pela ultima vez) mas não consigo.
só a morte pode me salvar, e ela não vem.
estou numa prisão sem muros.
só as memórias estão intactas, e elas não me deixam.
mais um dia, em coma, nesta cama.
mais um dia que não me consigo esquecer.