O Seta

NO PORTO DO ADEUS, UM SORRISO.

Onde estaria ela? Eu pensava fugazmente.
Eu precisava partir e esperava fazê-lo com o gosto e a lembranças de seus beijos. Eram tantas as nossas promessas que não imaginava que incidisse de outra forma.
O sol estava se pondo, em nuances entre o vinho e o negro coloria o céu.
Meu navio estava lá, coadjuvante desta paisagem, entre ponto de sombra, com função de demonstrar que a vida não pode seguir totalmente na exultação das cores.
Foram tantas inovações neste ultimo dia, eu sabia, sentia haver algo errado. Mesmo me culpando por ter esse anseio, e lutando contra ele, no meu íntimo eu o sabia, ainda o sei.
Será?
Ela passou a pisar por onde não pisava mais, conversar com quem não conversava, experimentar sabores que jurava não mais querer em sua boca, sentir angústia que só se demonstravam a minha presença, não condizentes com sua felicidade de instantes outrora.
Talvez ela quisesse se resguardar, não contar a sua verdade pela dor que sente ou quem sabe ainda não causá-la em mim neste momento de despedida.
Enquanto na embarcação eu já zarpava com os olhos embebidos da esperança de um último aceno de adeus, olhava inebriado para o cais. E eis que ela surge correndo, com seus cachos dourados soltos ao vento, e em um vestido branco colorido pelas cores do anoitecer ao luar.
Indago-me sobre sua beleza. Como posso vê-la mais bela do que a minha mais bela lembrança?
Vejo o movimento de sua boca, imagino chegar aos meus ouvidos o som doce de sua voz dizendo que sempre estará a me esperar.
Ela sorri…
Chegado ao próximo porto, tento escrever-lhe uma carta revelando todo o meu amor, desejo e planos pautados nela. Mas aquele indescritível sorriso arrancou de minha alma toda e qualquer poesia.
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João Sanches

O mar estava calmo, o mestre pescador virou o leme e rezou a Deus por ter feito boa pescaria, ancorou no seu Pôrto Seguro bem ansism no fim do dia, mas antes que nunca! Como foi difícil a madrugada, segurar a tempestade, mas chegamos! O Sol se entrevinha entre as nuvens que se iam.Resoveu deixar seus piratas, levar os pescados para a balança! Estava cansado!Decidiu ir para o bar do Belafonte! Deu um aceno de adeus ao pessoal do barco, que ainda tinha o dever de aconchar os peixes limpos e mandar pra balança! Sabia que estava com o barco cheio! A Pescaria foi boa!

E com um sorriso indescritível no rosto, pensou que com a pescaria poderia pagar suas despesas de aluguel deste mês!

Enquanto tomava uma e umas no bar do Belafonte, viu passar aquela bumdinha de dezoito anos que abundava sua imaginação …..e então perguntou à bundinha, qual era o presente….Ela disse e Êle foi!

Esposa? hora a esposa!

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Roubet

DoloresLembro-me das tardes de tórridas luxurias em que eu e Dolores vivíamos nosso amor louco, insano ate, em um quarto de hotel, não saiamos do quarto e eu navegava aquele corpo veneno da minha alma, anulava meus sentidos baseados na razão, não me importava com isso queria amar e ser amado, seu beijo era alucinante e seu toque uma elevação ao desconhecido, penetrei muitas vezes aquela alma revolta, muitas e muitas tardes, noites e manhas, me afoguei em seu néctar, desfalecia em seu pomar de frutas doces, podia sentir seu corpo tremer, suas frases desconexas, seus ais, calores e arrepios enquanto nos explorávamos, nossos suores formavam um mar de amor. E acabou sem que ou porque, simplesmente sem dor ou lamentações. Após arrumar minha bagagem nos dirigimos ao porto de Málaga sul da Espanha, nos despedimos entrei na lancha que me levaria ao navio. O por do sol iluminava Dolores no cais, acenava com as duas mãos em adeus, em seus lábios rubros e carnudos, um sorriso indescritível.
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Evandro

“Acontece e só”, foi dito.
O porto não exalava mais seu cheiro característico, atraente para uns e enjoativo a outros. Naquela tarde estivéramos juntos e, sem o saber, pela última vez. Viajaria para casa e lá voltaríamos a nos encontrar em dois meses, tempo apenas o suficiente para arrumar tudo, “arreglar la vida”, e seguir ao novo, rumo a um amor que sempre sonhara viver, desde que me entendera por gente.
Ela chegara assim e eu passava por lá. Havíamos nos dado bem, no acaso, como que por uma quimera, diria, e a realidade se transpusera em sonho… Realidade ou sonho? Ah, se eu pudesse escolher! Mil vezes o sonho, sonhar pela eternidade, viver por sobre as nuvens que ameaçam, que encobrem e sombreiam a realidade, que a inundam de tempestades a formar torrentes ou somem e a deixam esturricar à morte.
O sol afundava célere para o horizonte e a embarcação logo iria partir; manobraria e lenta seguiria a singrar mar afora as ondas. Também meu coração se afogava nas que passavam, de emoção em emoção, vagalhões sobre um intelecto aturdido e sem função ali.
Estava lá a acenar. Não! Como pensar em adeus? Nunca. Aquele sorriso indescritível lançara ferros em meu peito e meu corpo jazia entorpecido sob seu impacto derradeiro, em todos os sentidos, força definitiva que até então ignorava…
O ataque fora já em águas internacionais; o alvo, equivocado; os erros (des)humanos… Manobras. Do navio que parte, da belicosidade obtusa, da desatenção, daquele portento que agora sossobra, inúteis e inúteis, da impotência que naufraga por ter que lançar fora as ilusões que me haviam tanto encantado, me alimentado mesmo, e que me faziam suportar, importar, transportar…
O porto – o ponto de partida… e final.
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Fernando

Carlos carregava as pesadas malas de Andréia em meio à multidão. Ela andava na frente, tranqüila com sua bolsa, o vestido leve soprado pelo vento revelando detalhes de um belíssimo corpo. O chapéu a protegia do sol ainda forte mesmo no final do dia. Estava radiante, a beleza incomparável transbordava de maneira excepcional, talvez pela proximidade do cruzeiro que começaria em poucos instantes.
Carlos carregava as grandes malas sem esforço. O suor era mais pelo calor do que pelo esforço. Ele estava tranqüilo, sereno. Mesmo depois de sofrer tanto pelo fim do namoro, ainda mais daquela maneira, com um triângulo, a traição. Conformou-se. Resolveu ser amigo de Andréia. Carlos despachou as malas e procurou a amiga. Muito fácil achar uma mulher tão bonita no meio da multidão, todos os homens olhavam para ela, bastava seguir as cabeças.
Aproximou-se e entregou o bilhete e os tickets das malas embarcadas. Andréia agradeceu, deu-lhe um beijinho de despedida e subiu a bordo. Virou-se e ignorou-o. Carlos pensou ter visto um rosto conhecido a bordo, lá no alto.
Rapidamente encerrou-se o embarque, soltaram-se as amarras e os rebocadores começaram a tirar o imenso navio da cais. Naquele por do sol, esforçou-se para novamente achar Andréia e novamente foi fácil. Carlos acenou-lhe um adeus tranqüilo, Andréia respondeu displicentemente e virou-se, saindo abraçada com outro homem. Nem isso tirou a expressão tranqüila de Carlos. Que ficou ali estático, completamente parado, olhos fixos no navio que já se afastava a plenos motores.
Carlos continuava parado, a noitinha caia. Ele olha o relógio, consulta as horas. Olhos fixos ainda no transatlântico, agora a muitos quilômetros de distância. De repente, um forte clarão a bombordo, como se uma cabine houvesse explodido.
A belíssima lua cheia que começava a se apresentar ilumina um sorriso indescritível no rosto de Carlos, que se vira e se retira rapidamente.
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Marcia Soleni

“O porto – o ponto de partida… e final. “
hummm

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