Cyber
Dulenick adentra aquele ornamentado salão de festas. Percebe que ao desfilar seu novo e majestoso traje, muitos olhares se voltam exclusivamente para ela.

Depois de toda as tempestades que enfretara junto àqueles enfadonhos personagens, estava novamente no olho do furacão. Sentiu no ar seu poder de persuasão, seu méritos tornavam-se evidentes, estava dominada pela vaidade, sem se dar conta e, não lhe oferecia nenhuma resistência.

Comparando seu passado ao seu presente naquele salão de fantasiados, parecia-lhe que o futuro seria admirável. Sua máscara permaneceria sempre ajustada ao protesto diante da injustiça da qual sentia-se “a vítima”.

A mulher que planejava tudo com requintes, esmero e total distanciamento do sentido real, do que deve ser alicerce para uma amizade leal, movimentava-se pelo grande salão em busca de um par que utilizasse a mesma máscara que ela, alguém que fosse conivente e conveniente aos seus propósitos.

Após um certo período de busca do alvo, finalmente, estava diante do seu parceiro ideal. Juntos desfilariam por todos os cantos e recantos daquela nave festiva.

Sandrion, era um homem já admirado e respeitado, atraia olhares, era seguido por muito admiradores e sabia impor suas idéias sem deixar arestas, para que as refutassem. Sim, estava diante de sua árvore frondosa. Seria dele a sombra que ela aproveitaria, para ingressar com notoriedade nesse círculo fechado.

Deixou-se arrastar pelo salão em companhia desse pesado trunfo. Permaneceria ao lado de Sandrion, porém, não se deixaria induzir ao menor passo desnecessário. Observou os demais com o olhar de um animal, não sentiu nenhum arrependimento, afogou definitivamente os resquícios do fantasma que, um dia, fora ali.

Dulenick mal conhecia esse homem, mas passariam horas, dias e meses na companhia um do outro. Sandrion a convidara para tecerem, juntos, uma rede onde muitos desejos haveriam de penetrar nos opositores. Não estariam ali apenas para ficar diante dos holofotes, não deveriam permanecer parados absorvendo a verborréia dos interlocutores, nem deveriam guardar silêncio como se tivessem decididos a ficar eternamente em um só lugar. A rede era maior. Já partilhavam desse silêncio os figurantes que os cercavam, a estes restava a obscuridade que subia até a constelação.

Refletindo sobre o convite que lhe fora feito, novas conclusões surgiram. O que movia Sandrion não era nenhum desejo de vingança. Ele nada falara sobre desafetos. Não se reprimia diante da platéia; não fugia das imposições daqueles grupos, muito longe disso, ele as criava.

Uma das grandes características de Dulenick é captar as sutis sensações que passam despercebidas à todos, por isso, pôde ter a exata noção de que estaria lado a lado com Sandrion movida pela mesma mola propulsora: – A vaidade!

Rosi Rosa Lobo


Minha Vaidade
Meu nome me enaltece
Por isso me chamo Rosa
Os meus espinhos
Não estragaram minha beleza
Mas fere aqueles que tenta tirar
Minha cor acinzentada.
Sinto-me a pele enrugar
E minha vaidade
Revela outro ser que há em mim
Um ser enganador do tempo
Mostro outra face
Aquela que os outros não vêem
Porque suas próprias vaidades
São o embuste de si mesmo
Quando meus espinhos
Surgem em minha carne
Uso-os para ferir minha própria alma
Então cheia de dor
Volto para minha verdade
Aquela que escondi de mim mesma
Eu não quero ser pequena,
Agora despida da vaidade
Tiro a minha máscara
E mostro meu coração

Evandro

Vaidade
Vaidade, vazio… –
A vida por um fio
De ouro, dada ao luxo.
A exuberância fria
A recobrir sofrimentos, traumas e lamentos,
Sustos,
Quer ser coisa de astutos.
Mas asnos sem sentido certo,
Sem destino aberto,
Buscam assim o sem-fim onde não há mais nada.
Ao cerrar-se a imagem,
Esgotado o fingimento oco,
A ruir a parede lavada,
Resta fria a camuflagem
E apodrece o reboco!

Fernando


Vaidade
Entre tantas características inerentes à mulher, uma das que mais me atrai é a vaidade. Tiremos as mais óbvias (e xulas) e as mais desprezíveis (e que nos enchem o…) e sobram várias características realmente adoráveis, admiráveis.
Mas a vaidade… Ah! Aquele cuidado com pés, mãos, rosto, com o corpo em si, com as roupas… Uma sobrancelha bem feita… Um perfume adequado! O cabelo macio, sedoso… Aquele baton…
Isso é que realmente faz uma mulher nos tirar do sério! Aquele conjunto de detalhes montados de forma cuidadosa e ardilosa, de forma a que nos derretamos, a que sucumbamos, de maneira que não sobre nada de um homem, apenas um capacho estendido no chão.
Um homem demora muitos e muitos anos até perceber a força de um salto alto, o poder arrasador de um decote calculado, o feitiço dominador de um olhar desenhado, a inebriante magia de cheiros e brilhos que compõem aquela mulher que o domina, escraviza, manipula. E que ele adora! E muitos se entregam e se rendem ser sequer terem a noção deste imenso poder que os subjuga. Não importa! São felizes assim mesmo.
Mas eu acho que sou mais!


Isa


Vaidade


Nesses versos se arrisca,
Mostrar-se um pouco
Antes que anoiteça,
e logo desista.

Uma voz se enfeita,
Finge dizer o que tudo sabe
Mostra inspiração perfeita,
Mas não há profundidade.

Foge ao brilho e a claridade,
Tece rimas imperfeitas
E prossegue com intensidade
Cantando vivas à saudade.

Nasce uma estrela nesse mundo …
Fiquem atentos e respirem fundo,
Olhos perplexos e alma calada!

Sonhando estais …
Distante vai …
Navegando segues …
Buscando mais.
Este momento
Não me negues …

Permita-se a liberdade
Sem rimas ou métricas
São versos de pura vaidade.
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